Comandante do Estado-Maior renuncia na Venezuela

Em meio à tensão política predominante no país, o comandante do Estado-Maior Conjunto das Forças Armadas da Venezuela, contra-almirante Alvaro Martín Fossa, renunciou nesta quinta-feira, depois de criticar o ministro da Defesa do país, general da reserva José Luis Prieto, e acusar o governo de Hugo Chávez de perseguir militares acusados de participação no golpe de abril."Denuncio e responsabilizo o governo pela presença de proselitismo político, populismo, compadrio e oportunismo nas Forças Armadas", disse Martín Fossa, terceiro oficial mais graduado da cadeia de comando militar do país."É preciso eliminar a palavra ´revolução´ (das ações de governo), que é utilizada como bandeira ou ícone político nas Forças Armadas", acrescentou. "A instituição perdeu a transparência e o conceito de obediência e respeito. Já não há ética nem integridade no sentido de dizer, pensar e fazer uma única coisa. Aqui, se diz uma coisa e se faz outra."O contra-almirante denunciou também ter recebido pressões por parte do governo em razão de sua atuação na comissão de investigação que apura o papel de alguns oficiais militares durante o movimento golpista de abril. Também disse ter sido alvo da "desconsideração e desprezo" de Prieto por não ter os mesmos pontos de vista dele.Um pouco antes da divulgação das críticas de Martín Fossa, uma comissão da polícia federal e de agentes da Direção de Inteligência Militar foi impedida por manifestantes de prender dois generais do Exército que são acusados de conspirar contra Chávez e de terem participado do golpe de abril, Manuel Rosendo e Enrique Medina Gómez.Aos gritos de "Rosendo, não se vá", batendo panelas e agitando bandeiras nacionais, centenas de pessoas cercaram a casa do militar, no leste da capital venezuelana, e impediram que os agentes do governo o prendessem.Cena semelhante se repetiu pouco depois na frente da casa de Medina Gómez, no distrito de Horizonte."Graças a Deus, temos um povo fabuloso, que está me protegendo", disse Rosendo, em meio à multidão que o saudava. "Esta é uma das mais claras demonstrações de que as Forças Armadas institucionais têm o mais forte apoio da população venezuelana", completou.No caso de Medina Gómez, quatro veículos interceptaram o carro que ele ocupava quando se dirigia para uma entrevista na emissora de TV Televen. Para impedir a prisão do militar, dezenas de pessoas cercaram o prédio da Televen. "Esta é uma manobra vulgar de amedrontamente e mais uma medida de atropelo do governo", declarou Medina. "É a grande evidência do desespero deste governo que está caindo."Na véspera, os dois generais aumentaram o tom das críticas contra Chávez, acusando o governo de ter ordenado a repressão à marcha de 11 de abril, que terminou com o saldo de pelo menos 12 mortos.

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