Comandante dos EUA no Afeganistão elogia aumento de tropas no país

General McChrystal diz que vitória é possível, mas vai custar caro.

BBC Brasil, BBC

08 de dezembro de 2009 | 21h21

O mais alto comandante militar americano para o Afeganistão, general Stanley McChrystal, elogiou nesta terça-feira o plano dos EUA de enviar mais 30 mil soldados ao país, dizendo que o sucesso no conflito afegão é possível.

Ele disse que a coalizão liderada pelos Estados Unidos enfrenta uma "insurgência complexa e resistente", que os afegãos desconfiam de seu governo e que a missão no país é "indiscutivelmente difícil".

"O sucesso requer um compromisso imediato e vai significar um aumento nos custos", disse ele.

O aumento no número de soldados "vai nos fornecer a habilidade de reverter a boa fase da insurgência e negar ao Talebã o acesso à população que o grupo necessita para sobreviver".

O general afirmou que acredita que não precisará recomendar outro aumento no número de soldados, mas não hesitaria em fazê-lo se as circunstâncias mudarem.

Na última semana, o presidente americano, Barack Obama, anunciou o envio de mais 30 mil soldados americanos ao Afeganistão e a possibilidade de que a retirada das tropas do país comece em 18 meses.

15 anos

Também nesta terça-feira, o presidente afegão, Hamid Karzai disse que o país deve demorar pelo menos 15 anos até se tornar capaz de sustentar suas próprias forças de segurança.

"Esperamos que a comunidade internacional e os Estados Unidos, como nosso mais importante aliado, ajudem o Afeganistão a manter uma força", disse ele após encontro com o secretário de Defesa americano, Robert Gates, em visita a Cabul.

"O Afeganistão quer assumir a responsabilidade de pagar por suas forças, mas isso não vai acontecer nos próximos 15 anos", disse ele.

Gates disse que os Estados Unidos não vão abandonar o Afeganistão como fizeram em 1989, quando houve a retirada das tropas soviéticas do país.

"Queremos ser parceiros (dos afegãos) por muito tempo", disse Gates.

Derrota

Ambos concordaram que o fortalecimento das forças de segurança permanece uma prioridade para o Afeganistão.

O secretário de Defesa disse esperar que o novo ministério a ser anunciado por Karzai já reflita a necessidade de se combater a corrupção no país.

Na segunda-feira, o prefeito de Cabul, Mir Ahad Sahebi, foi o primeiro alto membro do Executivo a ser condenado por apropriação de dinheiro público.

Também nesta terça-feira, Karzai condenou a morte de seis civis, incluindo uma mulher, supostamente em decorrência de uma operação liderada pelas tropas da Organização do Tratado do Atlântico Norte (Otan) na província de Laghman (leste do país).

Uma porta-voz da Otan disse que a operação matou sete militantes e capturou outros quatro, negando a morte de civis.BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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