Comandantes depõem sobre morte de iraquiano no rio Tigre

Tendo sua imunidadegarantida, três comandantes do exército dos EUA quetestemunharam hoje admitiram ter dado a seus soldados ordemde acobertar um incidente no qual dois civis iraquianos foramforçados a pular no rio Tigre, no qual, segundo os familiares deambos, um deles se afogou. Os comandantes, no entanto, disseramnão acreditar que qualquer dos dois tenha morrido, a despeito doque a família e os promotores tenham dito. O capitão Matthew Cunningham disse que os soldados sobseu comando admitiram ter forçado os iraquianos a pular no rioem 3 de janeiro passado. Ele disse que os soldados lhe contaramque quiseram deixar os iraquianos "molhados" e que pretendiam"fazê-los sentir-se ´em estado lastimável´ e em seguida quevoltassem para casa". Cunningham disse que foi uma péssima decisão, mas que ossoldados tinham que ter formas não-letais de marcar sua presençana área. Ele qualificou a versão de que um deles se afogou comouma "campanha suja" e disse que os soldados viram os civissaindo do rio a salvo. Cunningham também admitiu que ele e outros comandantesdisseram a seus soldados para calar a boca porque temiam que ocaso ganhasse maiores proporções na cadeia de comando e oincidente se voltasse contra eles. "Não estávamos acobertando nada que tivesse feridoalguém", acrescentou. O depoimento foi prestado no terceiro e último dia deuma audiência para determinar se os três soldados devemenfrentar a corte marcial por causa do incidente. Os familiaresno Iraque dissseram que Zaidoun Hassoun, de 19 anos, afogou-seno incidente e que exumarão o cadáver da vítima para comprovarisso; o primo de Zaidoun sobreviveu. A audiência, nos termos do Artigo 32 do código militar,assemelha-se a uma sessão de grande júri civil, e o encarregadoda sessão, capitão Robert Ayers, fará depois uma recomendação arespeito de se os militares acusados devem ou não ser submetidosà corte marcial. Se condenados, eles podem ser sentenciados aentre 5 anos e meio e 26 anos e meio de prisão. Cunningham, comandante de uma companhia, depôs ao ladodo subcomandante do batalhão, major Robert Gwinner, e docomandante do batalhão, coronel Nathan Sassaman. Os três tiveramsua imunidade garantida para depor.

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