Comando checheno ocupa teatro em Moscou

Exigindo o fim da Guerra da Chechênia, cerca de 30 rebeldes separatistas fortemente armados invadiram hoje um famoso teatro da zona sudoeste da capital russa e tomaram a platéia - estimada em até mil pessoas -, atores e funcionários como reféns. Disparando para o ar, eles permitiram que crianças e membros muçulmanos da platéia saíssem do teatro. E ameaçaram os demais espectadores, dizendo que carregavam bombas atadas à cintura, para serem detonadas no caso de uma invasão do prédio pela polícia.Uma mulher que conseguiu escapar contou, em entrevista à rede de televisão russa NTV, que os rebeldes vestiam uniforme de camuflagem e gritavam em coro: "Vocês não entendem o que está ocorrendo? Somos chechenos..."Agências noticiosas russas, citando o site dos rebeldes na Internet, destacaram que o grupo é liderado por Moysar Barayev, sobrinho do senhor da guerra Arbi Barayev, que teria sido morto por tropas russas no ano passado. Uma repórter da agência russa Interfax estava no interior do teatro no momento da invasão. Ela conseguiu telefonar para a redação, informando que calculava o grupo entre 20 e 30 homens.Segundo a agência de notícias ITAR-Tass, um espectador chamou a polícia usando seu telefone celular. Depois disso, os rebeldes teriam adotado medidas drásticas, probindo, com ameaças, qualquer tipo de comunicação dos espectadores com o exterior.As autoridades russas não fizeram nenhum comentário sobre as providências que estavam tomando. Mas a TV6 e emissoras de rádio, num comportamento inédito no país, passaram a transmitir informações ao vivo das imediações do teatro - o Palácio da Cultura -, um edifício da era soviética que está apresentando um musical de grande sucesso no país, intitulado Nord-Ost.Segundo a TV6 e a Rádio Eco de Moscou, tropas do agrupamento Alpha, unidade especial do Serviço de Segurança Federal (instituição sucessora da antiga polícia secreta KGB), cercaram o edifício.Simultaneamente, o Ministério do Interior pôs em prática o chamado plano "Tormenta" que, basicamente, exige a presença imediata de todos os oficiais e comandantes militares em seus postos.No interior do teatro, informaram ainda as emissoras, os rebeldes teriam instalado explosivos em pontos sensíveis da estrutura do edifício com a clara intenção de implodi-lo, se sua reivindicação não fosse atendida, ou ainda, se forças especiais russas tentarem desalojá-los.O presidente russo, Vladimir Putin, que realiza um giro pela Europa, está sendo informado minuto a minuto da situação. Por sua vez, o prefeito de Moscou, Yuri Lujkov, dirigiu-se ao local numa tentativa de negociar pessoalmente com os rebeldes chechenos.A Rádio Eco entrevistou o menino Denis Afanasyev, libertado pelos rebeldes. Ele confirmou que o teatro estava lotado - cerca mil pessoas, entre as quais turistas estrangeiros. Três alemães estariam retidos no edifício.O teatro tem capacidade para 1.163 espectadores. Segundo o produtor Alexander Tsekalo, mais de 350.000 pessoas já assistiram ao musical atualmente em cartaz.Desde a década passada, quando o conflito se agravou, os rebeldes chechenos vêm incluindo seqüestros em sua campanha contra a dominação russa, geralmente em repúblicas sulistas, como o Daguestão. Essa é a operação extremista de maior envergadura na capital russa depois do atentado à bomba de 1999, que destruiu um prédio de apartamentos em Moscou, matando 300 pessoas.

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