Comando de elite da Marinha dos EUA liberta 2 reféns de piratas na Somália

Sucesso. Uma americana e um dinamarquês, sequestrados desde outubro na costa da África, foram resgatados numa ação inédita autorizada por Obama e conduzida pelo mesmo grupo que assassinou o saudita Osama bin Laden, em maio, no Paquistão

DENISE CHRISPIM MARIN, CORRESPONDENTE / WASHINGTON, O Estado de S.Paulo

26 de janeiro de 2012 | 03h07

A Marinha dos EUA resgatou uma americana e um dinamarquês mantidos em cativeiro desde 25 de outubro por piratas somalis. A operação, autorizada pelo presidente Barack Obama na segunda-feira, foi conduzida pelo mesmo grupo que matou Osama bin Laden, em maio. Obama foi informado do sucesso da missão pouco antes de seu discurso sobre o Estado da União, na terça-feira.

Jessica Buchanan, de 32 anos, e o dinamarquês Poul Hagen Thisted, de 60 anos, foram libertados e levados para uma base americana na fronteira da Somália com o Djibuti. Ambos trabalham em uma unidade do Conselho Dinamarquês para Refugiados, organização de ajuda humanitária. O Pentágono confirmou a morte de nove sequestradores durante a operação. Todos seriam criminosos comuns, sem vínculos com o grupo Al-Shabab, ligado à rede Al-Qaeda, ou com outros grupos terroristas.

"O pesadelo de Poul e Jessica acabou. Ambos estão a salvo, em um local seguro, onde receberão atenção especial e poderão se reunir a suas famílias", afirmou ontem Ann Mary Onsel, diretora do Conselho Dinamarquês para Refugiados.

"Como comandante-chefe, não poderia estar mais orgulhoso das tropas que conduziram essa missão. Os EUA não tolerarão o sequestro de nossa gente e não medirão esforços para resguardar a segurança de nossos cidadãos e trazer seus captores à Justiça", afirmou Obama, em comunicado divulgado ontem pela Casa Branca.

A operação foi conduzida na madrugada de ontem, na Somália - início da noite de terça-feira em Washington. Ao entrar no plenário do Congresso para o discurso sobre o Estado da União, Obama dirigiu-se ao secretário de Defesa, Leon Panetta, e ao chefe das Forças Armadas, o general Martin Dempsey, para cumprimentá-los. "Leon, bom trabalho o desta noite", disse Obama, que vinha recebendo informações diárias sobre o caso desde outubro.

Sob ordens do Comando dos EUA para África (Africom), com sede em Stuttgart, na Alemanha, o Seal Team 6, unidade de elite da Marinha, foi enviado para a Somália para a operação de resgate. Por volta das 2 horas, horário local, eles saltaram de paraquedas de um avião nas proximidades do cativeiro, na vila de Hiimo Gaabo, ao sul da cidade de Galkayo.

O Seal Team 6 caminhou 1,6 quilômetro e disparou mísseis contra o acampamento dos piratas. Em poucos minutos, segundo o Pentágono, a operação estava terminada. Nenhum sequestrador teria sido capturado vivo e nenhum militar se feriu.

"O sucesso dessa missão de resgate, conduzida em um ambiente hostil, é o testemunho das magníficas habilidades dos membros corajosos desse serviço, que arriscaram suas vidas para salvar as de outras pessoas", afirmou Panetta.

Jessica Buchanan e Poul Thisted haviam sido sequestrados por dois homens armados quando estavam a caminho do aeroporto de Galkayo, região próxima de Bossaso, reduto dos piratas.

Sequestros. Nas negociações para a liberação de ambos, os piratas recusaram uma oferta de pagamento de US$ 1,5 milhão. Em casos anteriores, os sequestradores chegaram a pedir até US$ 10 milhões. Nas últimas semanas, agentes de inteligência dos EUA foram informados sobre a piora das condições de saúde de Jessica.

A americana trabalha para a organização dinamarquesa há cinco anos. Desde maio de 2010, atuava como conselheira regional para educação na Somália. Thisted era ligado à mesma organização desde 2009 e trabalhava como gerente de segurança comunitária em Mogadiscio.

Ambos foram vítimas de um crime cada vez mais frequente no país desde a queda do ditador Mohamed Siad Barre, em 1991. Nos últimos anos, a anarquia política fez da Somália uma base sólida para piratas atuarem no Oceano Índico, em especial na rota de petroleiros, e faturar com o sequestro de estrangeiros.

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