Comando de turcos por estrangeiros seria insulto, diz líder

O líder do partido governista da Turquia, Recep Tayyip Erdogan, descartou a possibilidade de soldados turcos virem a ser colocados sob comando estrangeiro no caso de uma guerra contra o Iraque, qualificando as sugestões como um insulto e uma humilhação contra os turcos.Erdogan referia-se a uma declaração do governo dos Estados Unidos, divulgada na semana passada, segundo a qual os soldados turcos teriam de ser submetidos ao comando de uma coalizão liderada por Washington, se houver uma operação militar contra o Iraque.O governo norte-americano pretende usar a Turquia para abrir uma frente de batalha pelo norte do Iraque, mas ainda tenta obter um apoio firme das facções curdas iraquianas, temerosas de que a Turquia aproveite uma guerra para se estabelecer na região."O Exército turco tem força e capacidade de desempenhar esta missão sob seu próprio comando", declarou Erdogan, líder do Partido do Desenvolvimento e Justiça, descartando assim a possibilidade de os soldados turcos serem comandados por estrangeiros."A Turquia é uma nação e seu povo observaria algo assim como uma humilhação. O Partido do Desenvolvimento e Justiça veria isto como um insulto", disse ele em Guneysu, sua cidade natal, na costa do Mar Negro.O primeiro-ministro da Turquia, Abdullah Gul, também rejeitou a idéia de submissão dos soldados turcos a um eventual comando estrangeiro. "Obviamente, o comandante das forças turcas será um turco", disse ele em entrevista à CNN Turca.Apesar de Gul ser o premier, Erdogan é visto como a eminência parda do governo turco e deverá assumir o cargo de primeiro-ministro após a realização de eleições complementares previstas para março.Funcionários dos governos turco e norte-americano vêm negociando as condições de um deslocamento de soldados dos Estados Unidos para um eventual ataque contra o Iraque.A Turquia insiste que seus soldados devem entrar no norte do Iraque para evitar um possível fluxo de refugiados na direção de sua fronteira.A maior parte dos analistas acredita que a Turquia quer manter uma considerável presença militar no norte do Iraque para evitar a criação de um Estado curdo independente, pois Ancara teme que isto inflame as aspirações dos 12 milhões de curdos que hoje habitam a Turquia."Não importa qual o regime, a integridade territorial do Iraque é muito importante para nós se houver uma guerra. Não queremos observar ali uma formação indesejável", disse Gul.

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