Comando militar americano vincula crise coreana à sucessão de Kim Jong-il

Chefe do Estado-Maior diz que transição no regime comunista motivou ataque à Coreia do Sul

estadão.com.br,

24 de novembro de 2010 | 15h59

WASHINGTON - O chefe do Estado-Maior das Forças Armadas americanas, almirante Mike Mullen, disse nesta quarta-feira, 24, que o ataque da Coreia do Norte a uma ilha sul-coreana tem relação direta com a sucessão no país comunista. O regime de Pyongyang já deu sinais de que o ditador Kim Jong-il será sucedido por seu filho Kim Jong-un.

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"Acreditamos que isto está ligado à sucessão de Kim em favor de seu filho", disse Mullen em entrevista à rede de TV ABC.

O almirante ainda defendeu o papel da China para aliviar a tensão na península coreana. "É muito importante que a China lidere esta questão. O papel deles é crítico, porque é o único país que tem influência sobre Pyongyang", afirmou.

 

'Ameaça séria'

Na terça-feira, o presidente americano, Barack Obama, que a comunidade internacional deve reconhecer que a Coreia do Norte representa uma ameaça séria e contínua da qual todos devem se preocupar.

"A Coreia do sul é nossa aliada. Tem sido assim desde a Guerra da Coreia. E nós afirmamos nosso comprometimento para defender a Coreia do Norte como parte de nossa aliança", disse o presidente, que descartou uma ação militar contra a Coreia do Norte.

 

Manobras militares

EUA e Coreia do Sul farão manobras militares conjuntas no Mar Amarelo no final de semana. As manobras serão realizadas durante quatro dias no Mar Amarelo e contarão com a participação do porta-aviões nuclear americano "George Washington".

"Embora já tivesse sido planejado bem antes do ataque de artilharia de terça, que não foi provocado, demonstra a força da aliança dos EUA com a República da Coreia (do Sul) e nosso compromisso com a estabilidade regional por meio da dissuasão", diz um comunicado militar.

Em telefonema ao presidente sul-coreano Lee Myung-bak, Obama condenou o ataque. Fontes militares americanas em Seul assinalaram que as manobras já foram informadas à China, que no passado criticou os exercícios militares de EUA e Coreia do Sul nesta tensa zona marítima, próxima à costa chinesa.

O presidente sul-coreano também manteve nesta quarta-feira uma conversa telefônica com o primeiro-ministro do Japão, Naoto Kan, com quem reforçou o compromisso de seguir trabalhando de perto para alcançar a estabilidade na península coreana, informou a agência local "Kyodo".

 

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 Com Efe, AP e Reuters

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