Combate no Paquistão mata 15, incluindo mulheres e crianças

Bombardeio das forças da coalizão dos EUA atinge vilarejo paquistanês na fronteira com o Afeganistão

Agências internacionais,

03 de setembro de 2008 | 08h51

Pelo menos 15 pessoas, incluindo mulheres e crianças, foram mortas num ataque envolvendo forças lideradas pelos EUA num vilarejo paquistanês próximo à fronteira com o Afeganistão. EUA e Paquistão, aliados na guerra contra o terror, têm mantido combates ao longo da fronteira, incluindo uma série de ataques com supostos mísseis americanos, que mataram dois líderes militares da Al-Qaeda em território paquistanês neste ano. As autoridades deram versões diferentes sobre o combate ocorrido antes do amanhecer na região do Waziristão do Sul, parte do cinturão tribal onde, segundo suspeitam os oficiais militares, escondem-se Osama bin Laden e o número 2 da Al-Qaeda, Ayman al-Zawahri. Não se sabe se algum líder terrorista foi morto ou preso.  O governador da província de Frontier, administrador do cinturão tribal, disse que três helicópteros da coalizão e comandos militares executaram um ataque "ultrajante" num vilarejo. "Pelo menos 20 civis inocentes do Paquistão, incluindo mulheres e crianças, foram martirizados", afirmou, num comunicado, o governador Owais Ahmed Ghani. Mas o ministro da Defesa, Ahmad Mukhtar, disse apenas que casas próximas à fronteira foram bombardeadas por aviões da Otan e não mencionou forças terrestres. O porta-voz do Exército paquistanês, major Murad Khan, disse que também tinha informações de que 15 pessoas, incluindo mulheres e crianças, morreram num ataque próximo a Angoor Ada, cidade do Waziristão do Sul. Autoridades paquistanesas e ocidentais dizem que as áreas tribais no noroeste do Paquistão são redutos de militantes islâmicos. Nas últimas semanas, tropas paquistanesas realizaram operações contra bases militantes em Mohmand e Bajaur, na fronteira com a província afegã de Kunar. Segundo a BBC, a região é apontada como o mais provável local de esconderijo para líderes da rede Al-Qaeda, incluindo o próprio Al-Zawahiri e Osama Bin Laden, desaparecidos desde os ataques às Torres Gêmeas, em Nova York, em 11 de setembro de 2001. Al-Zawahiri, um dos fundadores do grupo militante egípcio Jihad Islâmica, é considerado o braço direito de Bin Laden e o "cérebro" por detrás dos atentados contra os Estados Unidos. Em 2006 ele conseguiu escapar de um ataque a míssil de tropas americanas com o objetivo de eliminá-lo. O porta-voz do Ministério paquistanês do Interior disse ainda que existem fortes indícios de que a organização de grupos militantes paquistanesas, Tehrik-e Taleban Pakistan (TTP), é "uma extensão da Al-Qaeda". Malik afirmou que, mesmo com a movimentação de grupos militantes na fronteira paquistanesa-afegã, o governo decidiu em princípio suspender por um mês as operações militares na região, para permitir que os deslocados pelos confrontos possam comemorar o mês sagrado do Ramadã.

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