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Combatente do EI diz que grupo consegue colocar gás mostarda em peças de artilharia

Prisioneiro identificado como Suleiman Daud al Afari, capturado pelas forças especiais do EUA, seria um especialista em armas químicas do grupo jihadista e teria trabalhado para o regime de Sadam Hussein

O Estado de S. Paulo

10 de março de 2016 | 09h59

WASHINGTON - Um combatente do Estado Islâmico (EI), capturado pelas forças especiais dos EUA no Iraque na semana passada, é um especialista em armas químicas do grupo jihadista, revelaram oficiais americanos na quarta-feira.

A captura do combatente foi confirmada por um funcionário americano, e seu interrogatório produziu um "bom material". Segundo informações do jornal The New York Times, Afari teria dito aos seus captores que o EI conseguiu transformar gás mostarda em arma e colocá-lo em peças de artilharia.

O combatente foi capturado por forças especiais que o Pentágono enviou recentemente ao território iraquiano para realizar operações contra o EI. No momento, o homem está detido no Iraque, segundo um dos oficiais.

De acordo com a rede de televisão CNN, o Exército americano realizou ataques aéreos contra "objetivos que acredita serem fundamentais para o programa de armas químicas do EI".

A emissora NBC revela que funcionários da Defesa identificaram o prisioneiro como Suleiman Daud al Afari, um especialista em armas químicas e biológicas que no passado trabalhou para o regime iraquiano de Sadam Hussein.

O porta-voz do Pentágono, Jeff Davis, não confirmou a captura de um especialista do grupo jihadista em armas químicas, mas admitiu que "o EI utilizou armas químicas em várias ocasiões no Iraque e na Síria". “Esse é um grupo que não observa as normas internacionais.”

Fontes ligadas à Organização para a Proibição de Armas Químicas (OPAQ) confirmaram em fevereiro o emprego de gás mostarda contra combates no norte do Iraque em agosto, mas não culparam diretamente o EI. A organização também confirmou o uso de gás mostarda em 21 de agosto na cidade de Marea, na Síria.

Davis explicou que “em doses grandes” o gás mostarda “pode certamente matar”, e citou o caso de um bebê sírio que morreu em 2015 depois de um ataque químico do Estado Islâmico à sua casa no norte da Síria. /AFP

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