Combatentes da Al-Qaeda concordam em se render em Tora Bora

"Acabou", disse hoje o comandante anti-Taleban, Mohamed Zaman, ao anunciar que os combatentes da organização terrorista Al-Qaeda, que resistiam nas montanhas de Tora Bora, leste do Afeganistão, tinham decidido se render. "Todos os membros da Al-Qaeda descerão das montanhas às 8 horas de amanhã (1h30 em Brasília), abandonarão suas grutas e cavernas e entregarão suas armas incondicionalmente", afirmou Zaman.Mas, ainda que se confirme a tomada total do complexo de cavernas de Tora Bora faltará à coalizão antiterror liderada pelos EUA o cumprimento do principal objetivo da campanha: a captura do líder da Al-Qaeda, o terrorista saudita Osama bin Laden. Embora na véspera Zaman tivesse afirmado que havia "90% de possibilidade" de Bin Laden estar escondido em Tora Bora, hoje a expectativa era outra."Até agora, eu estava seguro de que ele estava aqui (em Tora Bora). Mas agora não posso dizer isso com a mesma segurança", declarou Zaman a jornalistas estrangeiros. "Não sei nem mesmo se ele (Bin Laden) está vivo ou morto", prosseguiu o comandante. "Talvez amanhã possamos saber."Segundo Zaman, que é o chefe militar da província de Nangarhar os integrantes da Al-Qaeda concordaram em render-se depois de negociações entre um dos principais comandantes militares da organização terrorista, Abdul Kuduz, e outro chefe militar anti-Taleban, Hazrat Ali.Os combatentes da organização terrorista que se entregarem, de acordo com Zaman, serão postos sob a custódia das Nações Unidas. "Conversei por rádio com alguns membros da Al-Qaeda e perguntei se havia mulheres e crianças entre eles. Responderam que só havia homens jovens", disse. Até a intensificação dos avanços sobre Tora Bora, há nove dias, os combatentes subordinados a Bin Laden - estrangeiros, na maioria - prometiam lutar até a morte.Apesar das negociações, no entanto, nem todas as facções mujahedines (combatentes islâmicos) aliadas aos EUA que combatem em Tora Bora acreditam que a Al-Qaeda respeitará o compromisso de rendição. "Voltaremos a nos reunir amanhã de manhã. Se não houver entrega das armas, atacaremos", disse Afta Gul, um porta-voz da facção pashtun liderada por Mohamed Zahir.Os comandantes aliados estimam que há pelo menos 1.500 integrantes da Al-Qaeda escondidos no complexo de Tora Bora, uma base subterrânea construída com assistência técnica americana e utilizada pelos mujahedines para resistir à ocupação soviética do Afeganistão, entre 1979 e 1989. "Capturamos muitas cavernas no interior do complexo e as maiores delas estavam cheias de documentos e artigos de uso pessoal", declarou Gul.Em Washington, o secretário de Defesa, Donald Rumsfeld, declarou não ter nenhuma informação que confirme os relatos sobre a rendição dos membros da Al-Qaeda. "Lamento dizer que ainda não alcançamos nosso objetivo preciso", afirmou Rumsfeld, durante uma entrevista coletiva. "Esta guerra ainda não terminou."Durante a mesma entrevista, o comandante do Estado-Maior do Exército dos EUA, Richard Myers, declarou que "a superbomba BLU-82 conseguiu os efeitos desejados, que é o de matar terroristas da Al-Qaeda". A bomba, mais conhecida como "corta-margaridas", de 6.800 quilos, capaz de destruir tudo num raio de 500 metros do local onde cai, foi lançada em Tora Bora na véspera. A BLU-82 é a mais poderosa arma convencional (não nuclear) do arsenal americano e foi usada três vezes na atual campanha no Afeganistão.Segundo Zaman, o avanço das forças aliadas, apoiadas pelos bombardeios americanos, encurralou as tropas da Al-Qaeda no topo da montanha Meelawa, em Tora Bora, deixando-as sem opção de fuga. As informações sobre a possível rendição dos combatentes da Al-Qaeda não frearam os bombardeios americanos no local. Além dos disparos de artilharia esporádicos, aviões AC-130, da Força Aérea dos EUA, lançaram bombas em Tora Bora hoje à noite.Ao mesmo tempo, o governo paquistanês reforçava o patrulhamento de sua fronteira para evitar que os membros da Al-Qaeda passem para o seu território. Tora Bora fica a poucas dezenas de quilômetros do Portão de Torkhan, posto de fronteira entre os dois países."A região do nosso território mais próxima de Tora Bora está totalmente fechada e nossos helicópteros garantirão uma vigilância constante", afirmou um porta-voz do Ministério do Interior paquistanês.Leia o especial

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