Combatentes entram na cidade natal de Khadafi, diz governo interino

Porta-voz do Conselho Nacional de Transição diz que combatentes já atravessaram barreiras de proteção da cidade e enfrentam forte resistência das forças pró-Khadafi.

BBC Brasil, BBC

15 Setembro 2011 | 21h39

O governo interino da Líbia afirmou na noite desta quinta-feira que seus combatentes entraram na cidade costeira de Sirte, local de nascimento de Muamar Khadafi e um dos últimos redutos ainda fiéis ao coronel.

Um porta-voz do Conselho Nacional de Transição (CNT) disse que os combatentes já atravessaram as barreiras de proteção da cidade, localizada no norte do país, mas estão enfrentando forte resistência das forças pró-Khadafi.

Mais cedo, multidões em Benghazi e na capital do país, Trípoli, saudaram o presidente francês, Nicolas Sarkozy, e o primeiro-ministro britânico, David Cameron - os primeiros líderes estrangeiros a visitar o país desde a queda do regime de Khadafi.

Eles elogiaram o governo interino do país, mas disseram que "o mais difícil ainda está por vir", e que o esforço por paz e democracia ainda não foi concluído no país do norte da África.

A missão ocidental, que inclui ainda representantes do alto escalão da Otan, tem como objetivo discutir o futuro da Líbia.

Atiradores de elite

De acordo com a agência de notícias AP, os combatentes do CNT já avançaram para o centro de Sirte, onde foram atacados por atiradores de elite das forças de Khadafi.

No entanto, os integrantes do conselho tiveram de recuar em algumas frentes para dar assistência aos feridos.

O porta-voz de Khadafi, Moussa Ibrahim, afirmou a um canal de TV sírio que "milhares de voluntários" estavam prontos para lutar contra as forças leais ao Conselho de Transição.

"Há milhares e milhares de jovens voluntários que estão dispostos e prontos em vários fronts. Na verdade, estamos ainda mais fortes. Temos todas as condições para libertar toda a Líbia", disse Ibrahim.

'Perigo'

Falando a jornalistas em Trípoli, Cameron disse que a ação da Otan na Líbia prosseguirá até que as forças de Khadafi sejam derrotadas.

Por sua vez, Sarkozy afirmou que o coronel líbio, cujo paradeiro é desconhecido, ainda representa "perigo".

"Ainda há partes da Líbia que estão sob o controle de Khadafi. Ele ainda está foragido e devemos garantir que o trabalho seja terminado", disse Cameron.

"A mensagem para Khadafi e a todos os que estão empunhando armas em nome dele é: acabou. Desistam. Os mercenários devem ir para casa."

Sarkozy disse que o foco atual é consolidar o CNT e combater os últimos bastiões de Khadafi, em vez de pensar em contratos econômicos e de reconstrução da Líbia.

Os líderes também prometeram liberar mais ativos congelados da Líbia no exterior, em resposta ao recrudescimento do conflito, e pediram que a população evitasse atos de vingança e buscasse a reconciliação.

Legitimidade

O líder do Conselho de Transição, Mustafa Abdul-Jalil agradeceu a ajuda estrangeira, dizendo que a "revolução não teria conquistado o que conquistou sem a ajuda de aliados, e na linha de frente, de França e Grã-Bretanha".

O CNT, que tem o reconhecimento de cerca de 60 países, usa a visita para tentar reforçar sua legitimidade externa.

"Estamos felizes com esta visita e ansiamos por liberdade e libertação para toda a Líbia, pela captura de Khadafi e pelo estabelecimento de um Estado democrático livre", afirmou Abdul-Jalil. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.