Combates continuam em Najaf e 300 iraquianos morrem

Forças norte-americanas e iraquianas mataram cerca de 300 membros de uma seita apocalíptica muçulmana em um dia de batalha envolvendo tanques e aeronaves dos Estados Unidos perto da cidade sagrada de Najaf, disseram fontes da polícia, do Exército e políticos iraquianos. O Exército dos Estados Unidos disse na segunda-feira que não pode dar detalhes porque a operação continua. Uma fonte militar iraquiana disse que forças dos EUA assumiram o controle da operação no domingo e que os bombardeios continuavam na região. Dois militares norte-americanos foram mortos quando um helicóptero de ataque caiu durante a batalha, em um dos incidentes mais estranhos dos 4 anos de conflito. Autoridades iraquianas disseram que o helicóptero parece ter sido derrubado. O coronel da polícia Ali Nomas disse que entre 300 e 350 homens armados foram mortos na operação e que dezenas foram detidos. Três soldados iraquianos foram mortos e seis estão desaparecidos. Cinco policiais também morreram. Outros 40 soldados e policiais ficaram feridos. De acordo com uma fonte política iraquiana, centenas de combatentes sunitas e xiitas participaram da batalha no domingo. Um repórter no local, a 160 quilômetros ao sul de Bagdá, viu tanques e ouviu explosões na noite de domingo e uma autoridade iraquiana disse que caças F-16 estavam bombardeando a região. Há poucos detalhes sobre os conflitos e a origem dos combates não ficou clara. Uma fonte do exército iraquiano disse que alguns dos mortos usavam faixas na cabeça com a inscrição "Soldado do Céu". A fonte política disse que até 1.000 combatentes participaram da batalha. Uma fonte do exército iraquiano disse que eles usavam camuflagem e pareciam bem organizados. O Exército dos EUA entregou oficialmente a responsabilidade da província de Najaf para forças de segurança iraquianas no mês passado. A maior parte das tropas norte-americanas foi retirada e os soldados só voltam para ajudar em casos de emergência. Plano contra clérigos O governador de Najaf, Asaad Abu Gilel, disse que as autoridades descobriram um plano de assassinato de clérigos xiitas no local nesta segunda-feira, para coincidir com o ponto alto da Ashura, o rito anual xiita que marca a batalha do século 7 que provocou a divisão entre xiitas e sunitas. "Há uma conspiração para matar os clérigos no 10o dia do Muharram", disse, em referência ao dia do calendário muçulmano. O governador disse no domingo que os combatentes eram sunitas. Mas fontes políticas disseram que são seguidores de Ahmed Hassani al-Yemeni, descrito como líder de uma seita apocalíptica que afirma ser a vanguarda do Mahdi -- figura messiânica no Islã que exalta o início da justiça mundial. Ele operava a partir de um escritório em Najaf, que foi invadido e fechado neste mês. As fontes disseram que os homens declararam lealdade a Yemeni. Há outros casos de seitas violentas parecidas na história islâmica. Eles declaram os líderes muçulmanos infiéis e atraem sunitas e xiitas, proclamando união sob inspiração de Maomé.

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