Combates intensificam-se na Síria e mortos do conflito passam de 19 mil

Repressão. Forças leais ao presidente Assad usam helicópteros e pesados bombardeios para retomar bairros controlados pelos rebeldes em Damasco; no YouTube, líder opositor de Alepo, a segunda maior cidade do país, exorta a uma 'campanha pela libertação'

ANDREI NETTO , ENVIADO ESPECIAL / BEIRUTE, O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h03

Os combates pelo controle de Damasco e Alepo, as duas maiores cidades da Síria, intensificaram-se ontem com bombardeios pesados e uso de helicópteros e tanques por parte das forças leais ao ditador Bashar Assad. No fim de semana, mais de 200 pessoas morreram, entre civis, rebeldes e militares, elevando a mais de 19 mil as vítimas da revolta iniciada há 17 meses, segundo o Observatório Sírio de Direitos Humanos.

Nas fronteiras, o êxodo continua, assim como a luta pela hegemonia dos postos de imigração nas divisas com Líbano, Turquia, Iraque e Jordânia.

Ontem, novos combates foram travados nas imediações dos bairros de Barzeh e Mezzeh, em Damasco, onde os rebeldes persistem nos combates pela "libertação" da cidade. Fotografias enviadas por insurgentes mostraram grandes colunas de fumaça e explosões em diferentes pontos da capital, enquanto as imagens da TV estatal síria revelaram corpos de revoltosos mortos pelas Forças Armadas.

A agência oficial Sana afirmou que "o Exército limpou" o bairro de Qaboune, o segundo retomado - depois de Midane - desde a sexta-feira, quando começou a contraofensiva do regime.

Tropas sírias, comandadas pelo irmão de Bashar Assad - Maher Assad - apoiadas por helicópteros artilhados expulsaram os rebeldes do distrito de Barzeh, no norte de Damasco, disseram testemunhas e ativistas. Eles acrescentaram que vários jovens foram executados pelas forças de Maher, uma temida figura de linha-dura.

Forças do governo lançaram ontem uma determinada luta contra os rebeldes, que na semana passada levaram à capital sua luta para depor Assad e conseguiram matar dois de seus generais em um atentado a bomba contra um prédio das forças de segurança em Damasco. "Limpamos (o bairro de) Qaboun dos terroristas e agora vamos expulsá-los de outras partes de Damasco e além", disse um soldado usando uniforme camuflado durante entrevista à TV síria estatal.

Em uma nova escalada do conflito que rapidamente está se convertendo em uma guerra civil, confrontos foram travados ontem perto dos principais prédios das forças de segurança na segunda maior cidade da Síria, Alepo, e em Deir al-Zor, no leste do país.

Apelo. Em Alepo, centro econômico da Síria, o terceiro dia da ofensiva rebelde foi marcado por uma declaração dos insurgentes. Em vídeo postado no YouTube, o coronel Abduljabbar Mohammed Aqidi, suposto líder da região, informou que os combates fazem parte de uma campanha pela "libertação" da metrópole. "Ordenamos a todos os membros do Exército Livre da Síria que marchem sobre Alepo e ergam a bandeira da independência", conclamou. Aqidi disse que os rebeldes conquistaram a maior parte das posições em torno de Alepo. "O caminho agora está livre para liberar a cidade."

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