Combates levam Jordânia e Turquia a reforçar fronteiras

Confrontos nos postos de passagem com a Síria deixam Forças Armadas dos países vizinhos em estado de prontidão

BEIRUTE, / A.N., O Estado de S.Paulo

23 de julho de 2012 | 03h03

A disputa armada pelos postos de fronteira da Síria com Turquia, Iraque, Jordânia e Líbano provocou ontem reações dos vizinhos, que reforçaram suas presenças militares na região. Ontem, o Exército turco posicionou baterias de mísseis terra-ar e veículos de transportes de tropas em Mardin.

O reforço da presença militar foi comunicado pela agência turca Anatólia, citando fontes governamentais. Um total de cinco veículos armados com mísseis antiaéreos foram distribuídos na região e suas imagens foram veiculadas pela rede de TV NTV, servindo como um alerta para o Exército sírio e para os rebeldes em confronto na região.

Em 2011, quando teve início a revolta que chegou ao atual estado de conflito na Síria, a Turquia tomou partido dos insurgentes, rompendo suas relações com o regime de Bashar Assad.

Desde então, a política do primeiro-ministro turco, Recep Tayyip Erdogan, é de que todo aparato militar sírio na região que possa ameaçar a estabilidade turca será considerado um alvo potencial.

Caças turcos já foram enviados ao espaço aéreo na região fronteiriça em diversas ocasiões para afastar a presença de helicópteros militares sírios. Apesar das tensões, nenhum dos episódios terminou em combate efetivo.

Na última semana, o deslocamento de tropas da Síria para a região aumentou em razão dos confrontos pelos postos de fronteira. Três dos sete pontos de passagem, entre eles o de Bab al-Hawa, a 40 quilômetros de Alepo, foram tomados pelos rebeldes nos últimos seis dias, o que abre aos insurgentes um importante meio de suprir a rebelião com armas e víveres.

Enquanto resistem na fronteira com a Turquia, os rebeldes perderam ontem um dos três postos de imigração da divisa com o Iraque, segundo informações da agência Reuters. Restam nas mãos dos ativistas os postos de Boukamal e Yaribiyah.

Já o governo da Jordânia anunciou que tomará "todas as medidas necessárias" para evitar que o controle de sua fronteira seja prejudicado pelo conflito. O comunicado foi uma reação aos combates travados perto da região de Nassib, onde os rebeldes fracassaram na tentativa de conquistar o ponto de passagem.

Saldo. Com a intensificação dos combates nas duas metrópoles sírias, o balanço das vítimas superou uma barreira simbólica, chegando a 19.106 vítimas até o sábado, na contagem da ONG Observatório Sírio de Direitos Humanos, realizada com base em informações provenientes de militares e rebeldes na Síria.

Embora o conflito oponha militares leais ao regime e desertores, são os civis - incluindo os armados - as maiores vítimas: 13.296, conforme os dados compilados pela organização.

Refugiados. Além de conflagrar o país inteiro, o conflito segue tendo repercussões regionais. Ontem, o ministro de Educação do Líbano, Hassan Diab, informou que seu governo estuda a abertura de escolas públicas- em período de férias - para abrigar os refugiados do conflito no outro lado da fronteira. Cerca de 3.300 sírios cruzaram ontem a fronteira com o Líbano para fugir da violência em seu país, o que elevou para mais de 15 mil o número de refugiados que chegaram ao território libanês em dois dias, informou uma fonte do serviço de segurança.

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