Combates na Síria matam 2 jornalistas

Um belga foi morto em Alepo e um sírio, em Deraa; desde que o levante começou, há quase dois anos, 18 profissionais foram assassinados

ANDREI NETTO, CORRESPONDENTE / PARIS, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2013 | 02h07

Observatório Sírio de Direitos Humanos (OSDH), grupo opositor com sede em Londres, confirmou ontem que dois jornalistas estrangeiros morreram cobrindo a guerra civil na Síria. O belga Yves Debay, repórter de 58 anos da revista Assaut, foi assassinado em uma emboscada em Alepo, no norte do país. Mohamed Hourani, da TV Al-Jazeera, foi morto na Província de Deraa.

As circunstâncias das mortes não foram esclarecidas. Segundo a OSDH, os rebeldes afirmam que Debay teria sido atingido por um franco-atirador do regime. "Ele foi morto na quinta-feira, no norte de Alepo, onde combates violentos opõem rebeldes e soldados", afirmou a organização. "Ele foi morto por um atirador do regime. As circunstâncias exatas não estão claras, mas, ao que parece, ele entrou em uma rua perigosa, onde estavam posicionados membros das Forças Armadas do regime", disse um rebelde à agência France Presse.

Repórter experiente, Debay cobria frequentemente conflitos. Considerado excêntrico, tinha grande paixão pelas armas e por soldados, o que lhe rendia críticas de companheiros jornalistas. Em 1991, ele foi capturado por soldados iraquianos ao ultrapassar o front e chegar ao território sob controle das tropas de Saddam Hussein. Doze anos depois, ele ultrapassou as colunas de tanques americanos e foi um dos primeiros jornalistas a chegar a Bagdá, vindo do vizinho Kuwait.

As circunstâncias seriam semelhantes no caso de Hourani, também de 58 anos. A Al-Jazeera não esclareceu as causas da morte, mas, em comunicado, o canal árabe confirmou que ele foi vítima de um franco-atirador. "Mohamed Hourani foi morto por um franco-atirador do regime em Basr al-Harir, na Província de Deraa, onde ele cobria os enfrentamentos", disse.

Antes de se juntar à equipe da Al-Jazira, Hourani era um militante que lutava contra o regime de Assad desde março de 2011. Segundo a ONG Repórteres Sem Fronteiras (RSF), 20 jornalistas estrangeiros e sírios, além de 49 "cidadãos-jornalistas", foram mortos na Síria desde março de 2011, quando o repórter cinematográfico francês Gilles Jacquier foi atingido por uma granada em circunstâncias jamais esclarecidas pelo governo sírio ou pelos rebeldes.

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