Combates na Somália deixaram mil mortos, diz governo

Os recentes combates entre forças etíopes e somalis contra milícias ligadas a clãs locais e insurgentes islâmicos deixaram ao menos 1.086 pessoas mortas e mais de 4.300 feridas na Somália, afirmou nesta terça-feira, 10, uma comissão formada para avaliar a situação.O grupo, composto por membros das forças de segurança e ativistas civis, informou também que 1,4 milhão de pessoas abandonaram suas casas na capital somali, Mogadísico, devido aos conflitos ocorridos entre 29 de março e 1º de abril. O relatório não pôde ser confirmado por fontes independentes.Paralelamente, a Etiópia, que desde o final do ano passado mantém tropas na Somália, admitiu ter prendido 41 supostos terroristas internacionais em território somali. O anúncio gerou repúdio de organizações de defesa dos direitos humanos. Entre os detidos, que seriam de 17 países, há ao menos um americano, um canadense e um sueco.Um documento anterior elaborado por um grupo regional de defesa dos direitos humanos calculou em 381 o número de pessoas mortas. Segundo funcionários de organizações de ajuda, estes foram os piores combates travados em Mogadíscio em mais de 15 anos.Embora a Etiópia tenha derrotado no final de 2006 as forças islâmicas locais, conhecidas como Conselho das Cortes Islâmicas, que haviam tomado o controle de Mogadíscio no ano passado, nas últimas semanas o país retornou discretamente a uma sangrenta guerra civil que ameaça a estabilidade de todo o leste da África. A Somália não possui um governo central há anos. O coronel Hussein Siayaad, membro da comissão formada por autoridades da área de segurança e ativistas da sociedade civil, disse que sua equipe havia descoberto 88 corpos em 1 quilômetro quadrado de terreno. Essa área representava, segundo Siayaad, apenas uma fração do campo de batalha."Essa é uma estimativa grosseira e o número real deve ser muito maior porque não nos arriscamos a sair das estradas principais da área", afirmou o coronel à Reuters."Os corpos dos mortos ainda estão lá e precisaremos de semanas até recolher todos eles."Terroristas detidosTambém nesta terça-feira, o governo etíope admitiu ter detido 41 supostos terroristas internacionais de 17 países diferentes em território somali, e disse que investigadores internacionais os estão interrogando, segundo um comunicado oficial. Na semana passada, já havia a suspeita de que as tropas etíopes haviam capturado terroristas, mas o governo negava. Grupos de direitos humanos classificaram as detenções e as transferências dos suspeitos para a Etiópia como violação das leis internacionais.A Etiópia enviou tropas à Somália em dezembro de 2006 para combater o movimento radical islâmico que ameaçava dominar a maior parte do território do país. Segundo os Estados Unidos, extremistas ligados à rede terrorista Al-Qaeda pertencem a este grupo."Supostos terroristas internacionais foram e continuam sendo capturados por forças somalis e etíopes", disse o documento do Ministério de Relações Exteriores da Etiópia.A Corte Militar já ordenou a liberação de 29 suspeitos e cinco já foram soltos. O governo etíope diz que apenas 12 dos detidos ficarão sob custódia após as próximas liberações. A Etiópia nega que tenha violado os direitos humanos."Seguimos os procedimentos legais de interrogatórios. Nós podemos garantir que nenhum dos suspeitos sofreu algum tipo de violação dos direitos humanos", afirmou o governo etíope, por meio de um comunicado.No entanto, o documento não diz quais as nacionalidades dos suspeitos, e afirma que investigadores de vários países irão se encontrar com os detidos. O comunicado afirma ainda que as prisões fazem parte de um programa que visa a luta contra o terrorismo.Texto e título corrigidos às 13h06

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