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Combates próximos de Goma aumentam tensão no Congo

Governo acusa ONU de não impedir mortes de civis; cúpula no Quênia tenta acabar com violência na região

Agências internacionais,

07 de novembro de 2008 | 11h32

 Guerrilheiros rebeldes tutsis e tropas governamentais se enfrentaram nesta sexta-feira, 7, em Kivati, a menos de 15 quilômetros do centro de Goma (capital do Kivu Norte), o que fez aumentar a tensão na província, que está à beira de uma catástrofe humanitária. Os confrontos aconteceram no mesmo dia em que o secretário-geral das Nações Unidas, Ban Ki-moon, preside em Nairóbi (Quênia) uma cúpula, prevista pela ONU e União Africana (UA), para buscar acordos que permitam resolver o conflito no leste da Republica Democrática do Congo (RDC), onde milhares de pessoas estão à beira de um desastre humanitário.  Veja também:Histórico dos conflitos armados no Congo O governo congolês acusa Kagame de apoiar os rebeldes tutsis do Congresso Nacional para a Defesa do Povo (CNDP), que nas últimas semanas ocuparam grande parte da província leste congolesa de Kivu Norte. O presidente de Ruanda, Paul Kagame, um tutsi, culpa uma falha na liderança da República Democrática do Congo pela atual crise e responsabiliza a comunidade internacional por não lidar com o problema, apesar do envio de dezenas de milhões de dólares à região. Kagame deve se reunir com o presidente congolês, Joseph Kabila, no encontro desta sexta-feira. O porta-voz da Missão das Nações Unidas no país (Monuc), tenente-coronel Jean-Paul Dietrich, disse que os combates foram iniciados por militares da República Democrática do Congo (RDC), que atacaram os guerrilheiros do Congresso Nacional para a defesa do Povo (CNDP) em suas posições mais próximas a Goma. Milhares de deslocados da província do Kivu Norte que estavam em um campo de refugiados em Kivati fugiram do lugar para o centro de Goma logo após o início dos combates, nos quais os soldados governamentais usaram morteiros e metralhadoras para atacarem os rebeldes, informa o membro da MONUC. ONU não impede mortes de civis  Os combates entre rebeldes congoleses e tropas do governo na região obrigaram milhares de pessoas a deixar suas casas. O governo da República Democrática do Congo acusou as forças de paz da ONU de não agir para impedir a matança de civis no leste do país. "Pessoas estão sendo massacradas e (as forças de paz da ONU) nada fizeram", disse um porta-voz do presidente Joseph Kabila, segundo a BBC. Um porta-voz da ONU, Madnodje Mounoubai, afirmou que a organização estava fazendo o possível para ajudar civis, mas que suas forças encontram dificuldades para atirar contra rebeldes por causa da proximidade dos civis. "Você não pode atirar quando há civis na estrada correndo em todas as direções. Se você começa a atirar nessa situação acaba matando um monte de civis", disse ele.  A situação no país foi descrita como catastrófica. A ONU tem 17 mil soldados na República Democrática do Congo, o que faz da missão da organização no país a maior do mundo. Mas apenas algumas centenas desses soldados estão na áreas afetadas pelos recentes episódios de violência. A ONU investiga relatos de que rebeldes da República Democrática do Congo teriam matado civis na cidade de Kiwanja, no leste do país. Pelo menos 12 corpos foram encontrados por soldados da ONU e jornalistas na cidade, tomada pelos rebeldes liderados pelo general Laurent Nkunda no início desta semana.  Os moradores haviam retornado recentemente ao local, depois de receberem ordens do general Nkunda para deixar a cidade para que seus homens pudessem lutar contra o grupo Pareco Mai-Mai, que ele diz ter o apoio do governo. Nkunda afirma que atacou esse grupo. Testemunhas dizem que os homens de Nkunda foram de porta em porta matando suspeitos de pertencer à milícia. "Eles bateram nas portas (e) quando as pessoas abriam, eles atiravam", disse Simo Bramporiki, cuja mulher e filho foram mortos durante a noite. Uma mulher mostrou aos jornalistas os corpos de cinco homens dentro de sua casa, sendo que um deles era seu marido. Outros dois corpos estavam do lado de fora. Os relatos iniciais dão conta de que nada indicava que os homens, que vestiam roupas civis, pertenciam a milícias armadas. Os rebeldes tutsis liderados por Nkunda afirmam que estão lutando para proteger a comunidade tutsi contra os rebeldes hutus que fugiram para o Congo depois do genocídio em Ruanda em 1994. Mas Ajeni Niragasigwa, cujo filho foi morto durante a noite, disse aos repórteres em Kiwanja: "Eles vieram para matar as pessoas, eles não vieram para proteger". Grupos de direitos humanos acusam os homens do general Nkunda e milícias de cometer crimes de guerra e também criticou as forças de paz da ONU por não evitar os crimes.  O porta-voz da ONU, tenente-coronel Jean Paul Dietrich, disse que os homens de Nkunda também tomaram o controle da cidade de Nyanzale, cerca de 80 km ao noroeste da capital regional Goma, quebrando o cessar-fogo que ele havia declarado. A missão da ONU, Monuc, está reforçando seu contingente em Goma. Dezenas de milhares de pessoas buscaram refúgio na cidade, que Nkunda ameaçou atacar.  Os mais recentes confrontos fizeram com que algumas agências de ajuda humanitária suspendessem operações na região, um dia depois de enviar os primeiros suprimentos de alimentos ao território controlado pelos rebeldes. A ONU diz que três campos de refugiados perto da cidade de Rutshuru foram destruídos e que tenta descobrir o paradeiro de 50 mil pessoas que estavam nos locais. A organização britânica Save the Children diz que houve um aumento acentuado no número de crianças sendo seqüestradas para lutar ao lado dos rebeldes. Antes da atual onda de violência, havia cerca de 3 mil crianças-soldados no país.

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