Combates seguem apesar de rebelde apoiar trégua no Congo

Ex-general prometeu a formação de corredor humanitário para que população receba ajuda da ONU

Efe,

17 de novembro de 2008 | 09h38

Os combates entre as forças governamentais e as tropas rebeldes do Congresso Nacional para a defesa do Povo (CNDP) continuaram na manhã desta segunda-feira, 17, em Rwindi, no leste da República Democrática do Congo (RDC), apesar do líder rebelde Laurent Nkunda ter assegurado no domingo que apoiaria o cessar-fogo e o processo de paz que será iniciado pela ONU após os confrontos que forçaram 250 mil pessoas a abandonarem suas casas.   Veja também: Líder rebelde apóia processo de paz da ONU no Congo Guerra do Congo se espalha pela África Histórico dos conflitos armados no Congo   O ex-general Nkunda se reuniu no domingo com o enviado especial da ONU, Olusegun Obasanjo, e minimizou os enfrentamentos dos últimos dias, ao afirmar "que não são combates verdadeiros, mas apenas alguns incidentes entre os dois grupos", e se comprometeu a manter um cessar-fogo. Obasanjo disse ter chegado a um acordo com o chefe rebelde para a criação de um comitê de vigilância da cessação de hostilidades, no qual participariam um representante do governo, um da rebelião e uma terceira personalidade neutra. O representante especial para as Nações Unidas ressaltou que "o cessar-fogo é como dançar tango: não se pode fazer sozinho".   Segundo o porta-voz militar da Missão da ONU na RDC (Monuc), Jean-Paul Dietrich, os rebeldes liderados por Nkunda assumiram o controle de Ndeko, uma pequena população também perto da cidade de Kanyabayonga, cerca de 100 quilômetros ao norte de Goma, capital da conflituosa Kivu Norte. "Advertimos as tropas de Laurent Nkunda que, se avançarem mais, vamos intervir", declarou Dietrich, que comentou a confusão vivida na área, onde uma patrulha dos capacetes azuis está no fogo cruzado entre os rebeldes e os soldados congoleses.   Segundo o porta-voz da Monuc, também estão sendo registrados combates em Mashaka, 15 quilômetros ao sul de Kanyabayonga. Ainda não se conhece a origem exata dos ataques, nos quais é usada artilharia pesada, mas "o CNDP acusou o Exército de avançar em suas posições", acrescentou Dietrich.   Antes de se reunir com Nkunda, Obasanjo visitou vários campos de refugiados na região da província de Kivu Norte e se reuniu com autoridades locais. O enviado especial da ONU sobrevoou a zona em helicóptero para conhecer a situação militar e humanitária, informaram fontes da Missão das Nações Unidas na República Democrática do Congo (Monuc). Posteriormente, Obasanjo seguiu para Bunagana, a 70 quilômetros de Goma, para se reunir com Nkunda.   As conversas entre Obasanjo e Nkunda são de especial importância, já que nenhum dos ministros de Relações Exteriores nem os enviados especiais da União Européia (UE) conseguiram falar com o líder rebelde em suas visitas à RDC. Obasanjo conversou recentemente com Kabila e com o presidente de Angola, José Eduardo dos Santos, para informar a eles o que tinha sido decidido na Cúpula de Nairóbi, promovida pela ONU e a União Africana (UA) sobre o conflito na RDC.   O começo do atual conflito na RDC remonta a 1998, quando os rebeldes Baniamulenges, tutsis de origem ruandesa, se levantaram contra o Governo do então presidente congolês, Laurent Kabila, que tinha chegado ao poder em meados de 1997 com o apoio dos próprios tutsis. Desde então, o conflito entre os rebeldes do CNPD e os soldados congoleses não cessou, embora a situação tenha acalmado depois que Nkunda e Kabila assinaram um acordo de paz em 23 de janeiro. Nkunda acusa o governo de seu país de não defender adequadamente os direitos não apenas de seu grupo étnico, mas de toda a população congolesa, das supostas incursões dos hutus ruandeses no leste da RDC.

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