''Combinação de falhas'' derrubou aeronave

Segundo Aviação Civil, só incêndio no motor não teria causado queda do avião da Spanair

AFP, AP E REUTERS, O Estadao de S.Paulo

23 de agosto de 2008 | 00h00

Uma combinação de falhas _ tanto técnicas quanto humanas, ou ambas - provocou o acidente com o avião da Spanair no Aeroporto de Barajas, em Madri, na quarta-feira, disse ontem o diretor-geral da Aviação Civil Espanhola (AENA), Manuel Bautista. O acidente matou 153 das 172 pessoas a bordo, entre elas o brasileiro Ronaldo Gomes Silva, de 27 anos e sua mulher, a espanhola Yanina Celisdibowsky. |O casal ia para as Ilhas Canárias para que Ronaldo conhecesse os sogros. Segundo Bautista, é "improvável" que apenas uma falha no motor tenha derrubado o MD-82, pois os aviões modernos estão preparados para voar com apenas uma das duas turbinas se necessário. "Provavelmente, um conjunto de causas produziu o acidente", disse. As redes de TV espanholas disseram que um vídeo com cenas do acidente mostra que não houve um incêndio na aeronave quando ela estava no ar, mas apenas após ela se chocar contra o solo. Segundo o jornal espanhol El País, as imagens também revelam que o avião perdeu potência após decolar e antes de cair para direita. O piloto abortou a primeira decolagem, de acordo com Bautista, por um problema num aparelho de medição de temperatura. Depois de 40 minutos de revisões mecânicas foi dada nova permissão para o vôo - e foi nessa segunda tentativa que o acidente ocorreu. "Um problema com o sensor de temperatura pode não ter importância, ou ser muito importante, segundo as circunstâncias", disse o diretor da AENA. Especialistas em aviação descreveram o problema com o sensor como relativamente pequeno para provocar a queda.Uma equipe de investigações está colhendo depoimentos dos 19 sobreviventes, testemunhas e funcionários do aeroporto. Também está sendo feita uma análise das duas caixas-pretas da aeronave, apesar de, segundo o governo, uma delas ter sido danificada por causa do incêndio.Os corpos das vítimas começaram a chegar ontem às Ilhas Canárias, onde vivia metade dos passageiros. Até a tarde, os legistas haviam conseguido identificar 50 corpos. BRASILEIROSilva foi identificado por impressão digital e deve ser cremado. Seu irmão, Rodinaldo, foi desaconselhado a ver o corpo. Ele disse ao Estado que seus pais estavam sendo auxiliados pelo Itamaraty para conseguir os documentos necessários para viajar à Espanha e velar o corpo do filho. Yanina seria identificada pela análise da arcada dentária. Nos outros 103 corpos será necessária a realização de análises de DNA. A previsão é que todos serão identificados em até 72 horas.

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