Charles Platiau/Reuters
Charles Platiau/Reuters

Comboio da Cruz Vermelha é impedido de entrar em reduto rebelde na Síria

Organização tenta levar suprimentos para bairro de Baba Amr, em Homs

BBC Brasil, BBC

02 de março de 2012 | 14h51

HOMS - Um comboio da Cruz Vermelha chegou nesta sexta-feira, 2, à cidade sitiada de Homs, na Síria, mas teve o acesso negado ao bairro de Baba Amr, um importante reduto rebelde.

 

Veja também:
especialMAPA: 
A revolta que abalou o Oriente Médio
mais imagens OLHAR SOBRE O MUNDO: Imagens da revolução
tabela ESPECIAL: Um ano de Primavera Árabe

"É inaceitável que pessoas que precisam de assistência de emergência nas últimas semanas ainda não tenham recebido nenhuma ajuda", afirmou o presidente do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, Jakob Kellenberger, por meio de um comunicado.

Kellenberger disse ainda que o comboio de sete caminhões e ambulâncias do Crescente Vermelho sírio vai passar a noite em Homs para tentar entrar em Baba Amr "em um futuro muito próximo".

Na declaração, ele acrescenta que as autoridades sírias tinham dado permissão para a entrada do comboio no bairro, e que o problema agora não é apenas um detalhe técnico, mas algo muito mais grave.

O incidente levou a acusações da oposição síria de que as forças do governo estão tentando desaparecer com as provas de execuções sumárias que teriam ocorrido em Baba Amr.

Corpos de jornalistas

A Cruz Vermelha também disse à BBC ter recebido os corpos dos dois jornalistas ocidentais mortos em um ataque a Homs na última semana.

Segundo a entidade, os corpos da repórter americana Marie Colvin e do fotógrafo francês Remi Ochlik estão sendo levados de ambulância para Damasco.

Dois outros jornalistas franceses - Edith Bouvier e William Daniels - chegaram a Paris e foram recebidos pelo presidente Nicolas Sarkozy, depois de ser retirados do território sírio por ativistas de oposição.

Os jornalistas foram feridos em um bombardeio a Baba Amr, no último dia 22.

Controle total

O bairro de Baba Amr tem sofrido fortes bombardeios há cerca de um mês. Forças sírias dizem que agora têm controle total da localidade.

O correspondente da BBC no Líbano, Jim Muir, afirma que ninguém sabe exatamente quantos civis estão presos em Baba Amr nas últimas semanas de cerco e bombardeio.

A primeira tarefa da Cruz Vermelha e do Crescente Vermelho seria descobrir quantos civis ainda estão no bairro e avaliar as suas necessidades.

Das cerca de 100 mil pessoas que normalmente vivem em Baba Amr, apenas alguns milhares ainda permanecem no local. Na quinta-feira, o Exército Livre da Síria (ELS) disse estar saindo de Baba Amr para poupar as vidas dos civis que se recusaram a deixar suas casas.

As condições no bairro parecem estar muito difíceis, já que uma onda de frio intenso e neve atinge a região. A eletricidade foi cortada e não há combustível ou aquecimento. Alimentos, água e remédios também estão se esgotando.

Viagem lenta

A Cruz Vermelha e o Crescente Vermelho da Síria organizaram o comboio com sete caminhões levando suprimentos.

Khaled Erksoussi, chefe de operações do Crescente Vermelho sírio, disse à agência de notícias AFP que o comboio está levando "alimentos, remédios, cobertores, leite para bebês e outros equipamentos".

Devido à neve pesada, a viagem do comboio vindo da capital, Damasco, foi lenta. Sean Maguire, porta-voz do Comitê Internacional da Cruz Vermelha, disse à BBC que esperava distribuir os suprimentos em Baba Amr.

"Nossos colegas do Crescente Vermelho sírio estavam distribuindo alimentos e prestando assistência em outras áreas de Homs, diariamente, esperamos conseguir fazer o mesmo em Baba Amr", afirmou Maguire, antes que o comboio tivesse o acesso ao bairro negado.

ONU

O Conselho de Direitos Humanos das Nações Unidas, reunido em Genebra (Suíça), aprovou nessa quinta-feira uma resolução condenando o governo sírio pelo que chamou de "amplas e sistemáticas violações de direitos humanos". A resolução pediu que agências de ajuda tenham acesso aos necessitados.

O documento teve apoio de 37 países. Três votaram contra: Rússia, China e Cuba. O Brasil não tem direito a voto.

Analistas dizem que a resolução tem como objetivo pressionar a Síria antes da visita do enviado especial da ONU Kofi Annan para Damasco.

 

BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.