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Entrada de comboio de ajuda humanitária em reduto rebelde sírio é adiada

Aumento da violência na região impediu a operação de seguir adiante; número de mortos em Ghouta Oriental passa de 900; dezenas de pessoas são diagnosticadas com sintomas de asfixia após bombardeios do regime de Bashar Assad

O Estado de S.Paulo

08 Março 2018 | 09h42

DAMASCO - O comboio de ajuda humanitária que deveria entrar nesta quinta-feira, 8, no reduto rebelde de Ghouta Oriental, na Síria, foi "adiado", anunciou o Comitê Internacional da Cruz Vermelha (CICV) em razão do aumento da violência na região.

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"O comboio de hoje foi adiado", declarou Ingy Sedky, porta-voz do CICV, uma das organizações que participa na iniciativa de ajuda humanitária. "A evolução no local não permite levar a operação adiante."

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As forças do regime de Bashar Assad iniciaram uma vasta ofensiva no dia 18 de fevereiro no setor rebelde da periferia de Damasco. As regiões controladas pelos militantes foram bombardeadas na quarta-feira e dezenas de civis morreram, de acordo com o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Quase 400 mil pessoas estão sitiadas desde 2013 e sofrem com a falta de alimentos e remédios. Na segunda-feira, um comboio de 40 caminhões com ajuda humanitária encurtou sua missão em razão dos bombardeios em Duma, cidade de Ghouta. A ONU espera que a ajuda médica e os alimentos alcancem 70 mil pessoas.

A ajuda desta quinta-feira que deveria ser distribuída consiste principalmente em alimentos que não puderam ser entregues na segunda. Dez caminhões ficaram completamente cheios e quatro foram parcialmente descarregados, o que representava a metade da comida que estava destinada a 27,5 mil pessoas. Da carga da segunda-feira, as forças sírias descarregaram 70% do material médico, segundo denunciou a Organização Mundial da Saúde (OMS).

"A ONU segue recebendo relatos sobre o aumento dos combates em Ghouta Oriental e disparos de foguetes contra Damasco, que põem em perigo os civis e impedem que a assistência humanitária chegue a centenas de milhares de pessoas que necessitam, inclusive milhares de crianças", explicou o porta-voz em Genebra do Departamento de Assuntos Humanitários da ONU, Jens Laerke.

Mais de 900 civis morreram em Ghouta Oriental desde o início da ofensiva do governo sírio contra o reduto rebelde, informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos. O balanço de vítimas chegou 905 depois que os mais recentes bombardeios aéreos contra a cidade de Zamalka provocaram a morte de mais sete civis.

Asfixia

Dezenas de casos de asfixia foram diagnosticados após os bombardeios aéreos do regime sírio e de sua aliada Rússia em Ghouta Oriental, anunciou nesta quinta-feira o OSDH. Médicos citaram um possível ataque químico.

Na noite de quarta-feira, ao menos 60 pessoas apresentaram dificuldades respiratórias nas localidades de Saqba e Hamouria após os bombardeios, informou a ONG. De acordo com o Observatório, as ações foram realizadas pelas aviações do regime sírio e da Rússia, que negou bombardear Ghouta.

Funcionários de um hospital da região afirmaram que trataram ao menos 29 pacientes que apresentavam sintomas de exposição a gás cloro, informou a Sociedade Médica Sírio-Americana (SAMS), uma ONG que apoia os centros médicos da Síria. / AFP e EFE

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