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Comboio de turistas estrangeiros é atacado no Afeganistão

De acordo com informações oficiais, um foguete disparado por membros do Taleban teria atingido o veículo onde os 12 turistas - 8 britânicos, 3 americanos e 1 alemão - estavam, deixando cinco deles feridos; grupo extremista não reivindicou ação

O Estado de S. Paulo

04 Agosto 2016 | 12h05

CABUL - Vários turistas europeus e americanos ficaram feridos nesta quinta-feira, 4, após o veículo em que eles estavam ser atingido por um disparo de foguete no oeste do Afeganistão, entre as cidades históricas de Bamyan e Herat. Segundo um responsável provincial em Herat, se tratava de um grupo de 12 pessoas, 8 britânicos, 3 americanos e 1 alemão.

As fontes oficiais consultadas pela agência AFP apontaram o Taleban como autor da emboscada. "Cinco turistas estrangeiros e seu motorista (afegão) foram feridos em uma emboscada lançada porm membros do Taleban na estrada que une a província de Bamyan com a de Herat", disse o porta-voz do Exército, Najibullah Najibi.

"O veículo foi atingido em cheio por um disparo de foguete feito pelo Taleban; foi possível tirar os cinco turistas e eles ficaram levemente feridos. Estão sendo levados a Herat", completou o porta-voz.

Já o porta-voz do governador de Herat, Jilani Farhad, afirmou que os turistas viajavam em um comboio sob a proteção do Exército afegão, que reagiu à emboscada. "Vários combatentes do Taleban morreram", disse. Até o momento, o grupo extremista não reivindicou o ataque.

Não está claro por que os turistas viajavam por esta região, considerando que as embaixadas dos países ocidentais aconselham seus cidadãos a não irem ao Afeganistão.

O ataque ocorreu no distrito de Chisht-e-Sharif, na zona montanhosa e isolada de Ghor (centro), entre Bamyan e Herat, duas cidades conhecidas por seu patrimônio arqueológico e capitais de províncias consideradas relativamente tranquilas. Vários distritos da província de Ghor são, no entanto, mais complicados.

O ataque ocorreu num momento em que o Taleban intensifica sua tradicional ofensiva de verão, depois de uma breve interrupção durante as celebrações do mês sagrado muçulmano do Ramadã, que terminou no início de julho.

Na segunda-feira o grupo lançou um atentado com um caminhão-bomba contra um hotel para estrangeiros em Cabul. Após sete horas de ataque, a operação terminou com um policial morto e outros três feridos.

Estradas perigosas. Viajar por estrada no Afeganistão é considerado cada vez mais perigoso. Os ataques de insurgentes islamitas se multiplicam, especialmente no norte, no sul e no leste do país, onde ocorrem violentos combates.

Circular sob a proteção das forças armadas afegãs também não é uma garantia. No início de junho, um jornalista americano da rádio pública NPR, David Gilkey, e seu colega e tradutor afegão Zabihullah Tamanna, morreram quando viajavam em um comboio militar na instável província de Helmand (sul).

Os ônibus locais também costumam ser alvos de emboscadas nas estradas.

Por sua vez, os trabalhadores das ONGs, menos protegidos que os diplomatas ou os militares estrangeiros, são vítimas de sequestros, que podem ser tanto criminais quanto políticos.

A indiana Judith D'Souza, de 40 anos, que trabalhava para a Fundação de Aga Khan, foi sequestrada perto de sua casa no centro de Cabul em 9 de junho. Ela só foi libertada mais de seis semanas depois, em 23 de julho. Poucas semanas antes do sequestro de Judith, uma voluntária australiana foi sequestrada na cidade de Jalalabad, perto da fronteira com o Paquistão. / AFP

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