Começa a corrida pela sucessão presidencial no Japão

A corrida pela sucessão do primeiro-ministro japonês, Junichiro Koizumi, começou nesta quinta-feira com o anúncio oficial da primeira candidatura às eleições dentro do partido governante, apresentada pelo ministro das Finanças, Sadakazu Tanigaki.Koizumi deve deixar a chefia do Governo em setembro, após cinco anos no poder, com o fim de seu mandato como presidente do Partido Liberal-Democrata (PLD). Ele não pode concorrer à reeleição dentro da legenda conservadora.No Japão, o chefe de Governo é tradicionalmente o presidente do PLD, partido que governou o país quase ininterruptamente durante os últimos 56 anos. A exceção foi um período de onze meses entre 1993 e 1994."A economia japonesa se reativou, mas o ambiente que nos cerca é muito complicado. Está diminuindo a população e há muita competitividade em nível mundial. Pensando em qual poderia ser minha contribuição, tomei a decisão de disputar as eleições", afirmou Tanigaki à imprensa, depois de comunicá-la informar o primeiro-ministro.Segundo a agência Kyodo, Koizumi o encorajou e brincou sobre a difícil campanha que deve acontecer dentro do partido."É duro, mas faça o melhor que você puder. Depois de ter passado por isso uma vez, não acho que você vá querer repetir", disse Koizumi. O premier, entretanto, adotou um tom mais sério para acrescentar: "É uma oportunidade única".Entre os prováveis candidatos a primeiro-ministro estão ainda o ministro Porta-voz e secretário-chefe do Gabinete, Shinzo Abe, de 51 anos, e o ministro de Exteriores, Taro Aso, de 65, que devem formalizar suas candidaturas em agosto.Segundo analistas locais, Tanigaki terá muitas dificuldades, pois as pesquisas o mostram muito atrás de Abe, o grande favorito. O ministro das Finanças espera começar a angariar apoio dentro do partido e melhorar sua imagem pública.Programa político Em sua primeira entrevista coletiva como candidato, apresentou os três pilares de seu programa político: a recomposição da diplomacia japonesa na Ásia, a reativação das regiões rurais e a reconstrução das finanças públicas."Vivemos uma situação anormal, pois não conseguimos realizar reuniões bilaterais com os chefes de Estado vizinhos. É necessária uma normalização das relações o mais rápido possível", afirmou Tanigaki.As contínuas visitas de Koizumi ao templo xintoísta de Yasukuni, no qual são homenageados 14 criminosos de guerra japoneses, atingiram em cheio as relações do Japão com a China e a Coréia do Sul, países invadidos pelo Exército imperial na primeira metade do século passado.Tanigaki já deixou claro que não porá um pé em Yasukuni, ao contrário de seus dois rivais, Aso e Abe.Outro de seus objetivos é recuperar as finanças públicas, mesmo que, para isso, seja necessário aplicar medidas impopulares, como um aumento, nos próximos três anos, dos impostos sobre o consumo de 5% para 10%."Dado o envelhecimento da população e a queda da taxa de natalidade, não podemos nos permitir deixar pesos fiscais para os nossos filhos e netos", afirmou recentemente.O Japão arrasta um colossal déficit fiscal, que corresponde a 160% do Produto Interno Bruto (PIB), o maior entre os países industrializados, representando mais do que o dobro do americano.Advogado de formação, Tanigaki reconhece que tem diante de si um caminho muito difícil para se tornar primeiro-ministro."Minha situação não convida ao otimismo, mas estas eleições serão uma boa oportunidade para fazer um balanço do Governo Koizumi", afirmou Tanigaki, líder da sexta maior corrente do PLD, integrada por 15 integrantes da bancada parlamentar.

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