Começa a missa de corpo presente do músico Rostropovich

A missa de corpo presente em memória do violoncelista e diretor de orquestra russo Mstislav Rostropovich, que morreu na última sexta aos 80 anos, acontece neste domingo na Catedral de Cristo Salvador de Moscou.Mais de mil pessoas assistem à cerimônia religiosa no principal templo da Igreja Ortodoxa Russa. Dezenas de personalidades e amigos de Rostropovich foram dar seu último adeus ao genial músico e "cidadão do mundo", além de expressar seus pêsames à viúva, a famosa soprano GalinaVishnevskaya, e suas duas filhas, Olga e Elena.Estão presentes Bernadette Chirac, esposa do presidente da França; o chefe de Estado do Azerbaijão - país onde nasceu o violoncelista -, Ilham Aliyev; o prefeito de Moscou, Yuri Luzhkov, e conhecidos músicos e representantes da cultura.Durante a noite e até a liturgia, centenas de cidadãos de Moscou foram à catedral para despedir-se de seu querido e adorado "Slava", o diminutivo de Mstislav Rostropovich, que também significa "glória".Anteriormente, outras milhares de pessoas, entre elas o chefe de Estado russo, Vladimir Putin, passaram neste sábado pelo Conservatório de Moscou, que acolheu o velório, para levar flores ao falecido gênio da música.Por decisão da família, durante o velório e o enterro não houve discursos, e apenas uma orquestra sinfônica tocou as peças preferidas do músico enquanto uma fila de pessoas passava pela sala e deixava flores em frente ao caixão com o corpo de Rostropovich.Após a cerimônia religiosa na catedral, o caixão será levado ao histórico cemitério do mosteiro Novodievichie (das Donzelas), onde estão enterradas as personalidades ilustres da Rússia.Rostropovich terá seu túmulo na praça central do cemitério, ao lado do primeiro presidente da Rússia, Boris Yeltsin, enterrado lá há apenas quatro dias com todas as honras. Há um mês, o músico celebrou seus 80 anos com um concerto e uma recepção solene no Kremlin, mas já aparentava sinais de problemas na saúde.Ele acabava de sair do Centro Oncológico de Moscou, ao qual voltaria em 12 de abril para uma operação cirúrgica de urgência - após a qual não conseguiu se recuperar. A morte de Rostropovich, amigo de monarcas e estadistas mas também próximo ao povo, motivou emocionantes reações por todo o mundo, onde foi lembrado tanto por sua genialidade musical como por seu amor pela liberdade e a justiça.A defesa destes valores lhe valeram a expulsão da extinta União das Repúblicas Socialistas Soviéticas (URSS) durante 16 longos anos, até a "perestroika" de Mikhail Gorbachev.

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