Começa a nova era da ANP

Os palestinos amanheceram nesta sexta-feira imersos em uma nova realidade, alguns satisfeitos pela saída dos "corruptos" do Fatah, outros temerosos pelo fundamentalismo do Hamas, mas todos sem saber exatamente o que virá pela frente."Estou muito tranqüilo porque expulsamos os corruptos", disse com ansiedade Munir Shadid, de 40 anos, em relação ao fiasco do movimento nacionalista Fatah nas eleições desta quarta-feira.A Comissão Central de Eleições (CCE) anunciou ontem a vitória do Hamas com 76 cadeiras, de um total de 132, e 33 mais que seus rivais da Fatah.Nesta sexta-feira, ao meio-dia (8h de Brasília), ocorreu a principal reza da semana para os muçulmanos. "Vamos viver melhor com o Hamas. Durante os últimos 10 anos, nos quais o Fatah controlou a câmara legislativa, não vimos nenhuma mudança", disse Jamal Tauil, de 41 anos, ao de sair da mesquita de Jamal Abdel Nasser, localizada no bairro de Al Bire, um dos principais centros do Hamas em Ramala. Por outro lado, em frente ao Ziriab, um dos bares de Ramala mais freqüentados por estrangeiros, artistas e intelectuais, Tauil afirmou que "o Islã proíbe o álcool e, se trilhamos pelo caminho da religião, este tipo de lugares ´sujos´ terão de ser fechados". Quanto aos cristãos, ele afirma: "se quiserem beber, que o façam em suas casas".Dentro do bar, seu proprietário, Taisir Barakat, um artista de 44 anos, não esconde seu temor em relação à vitória do Hamas. "Ontem reuni todos os empregados e falamos sobre o que vamos fazer agora que o Hamas venceu. É claro que, se baixarem uma lei para proibir este tipo de estabelecimento, deixaremos de vender álcool, mas enquanto não o fizerem, seguiremos da mesma forma", disse. "Agora eles vão controlar o governo, podem fazer o que quiserem e, entre outras coisas, mandar na vida das pessoas. Dizem que não querem influir na vida social dos palestinos, mas não sabemos se é verdade", acrescentou.Barakat, que votou na Fatah, um movimento que descreve como liberal e um "mix" de pessoas muito diferentes, explica a vitória do Hamas como um voto de protesto contra o mau comportamento da Fatah durante os últimos anos e, em particular, pela forma com a qual administraram a ANP.Já um dos poucos ativistas da Fatah que renovou sua cadeira no Parlamento palestino, afirmou que, independentemente da vitória de uns ou de outros, "trata-se do começo de uma nova era para os palestinos".

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