Começa análise da declaração do Iraque sobre armas

Funcionários americanos começaram a analisar as cerca de 12 mil páginas de documentos e vários CD-ROMs que constituem a declaração do Iraque sobre seu suposto arsenal de armas químicas, biológicas e nucleares, encaminhada no sábado pelo governo iraquiano ao Conselho de Segurança (CS) da ONU. O material, não divulgado publicamente pelo Iraque, chegou no domingo à sede da ONU, em Nova York, e da Agência Internacional de Energia Atômica, em Viena. Segundo autoridades iraquianas, seu conteúdo apenas demonstra que o país não possui mais armas de destruição em massa. Na sexta-feira, os 15 membros do CS, entre os quais os EUA, haviam chegado a um acordo pelo qual os especialistas em armamento da ONU examinariam e editariam a declaração antes de ela ser analisada pelos membros do conselho, evitando assim que segredos técnicos sobre fabricação de armas de extermínio caíssem em mãos erradas. No entanto, esse acerto não agradou aos americanos. No fim de semana, depois de intensas negociações, ficou acertado que os cinco membros permanentes do CS (EUA, China, Grã-Bretanha, França e Rússia - todos potências nucleares) teriam acesso à íntegra do material. O vice-embaixador russo, Gennady Gatilov, afirmou que os EUA levaram a única cópia da declaração iraquiana em poder do CS, e se responsabilizaram por fazer cópias para os demais membros permanentes. Os dez membros não-permanentes, entre eles a Síria, só obterão uma versão censurada do documento. O governo americano informou que não emitirá um parecer enquanto não tiver analisado toda a declaração. Ao mesmo tempo, o país sustenta ter provas de que o Iraque continua mantendo um programa de armas de extermínio, mas alega não poder revelá-las à ONU porque isso poria em perigo seus informantes em território iraquiano. Hoje, um novo grupo de inspetores da ONU chegou a Bagdá para unir-se à equipe que desde o dia 27 está vistoriando locais suspeitos de fabricar armas químicas, biológicas ou nucleares. Um ataque ao Iraque é o cerne de um amplo exercício militar simulado em computador iniciado hoje pelas tropas dos EUA no Catar, uma monarquia do Golfo Pérsico para onde os americanos transferiram a chefia móvel do Comando Central de suas forças, sob a direção do general Tommy Franks.

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