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Começa Conferência Consultiva Política do Povo Chinês

O principal órgão de assessoria do governo da China, a Conferência Consultiva Política do Povo Chinês (CCPPC), iniciou neste sábado, 3, seu plenário anual com uma agenda voltada para reformas socialistas, após duas décadas de abertura econômica e corrupção que causaram grande insatisfação social."Todos os membros têm de estar preparados para aprender e aplicar o espírito do Partido Comunista da China (PCCh) e contribuir para o cumprimento de seus objetivos", disse neste sábado o presidente da CCPPC, Jia Qinglin, no discurso de inauguração do encontro.As palavras de Jia - um dos nove membros do Executivo cujo cargo balançou no ano passado devido a um grande escândalo de corrupção -, dão uma idéia do poder decisivo do órgão, embora suas "sugestões" sejam um reflexo das preocupações de Pequim.A quinta sessão do 10º comitê da CCPPC, da qual participam 2.144 de um total de 2.267 delegados de elite, iniciou neste sábado seu plenário no Grande Palácio do Povo de Pequim, informou a agência oficial Xinhua.A reunião durará 12 dias e os delegados centrarão suas propostas nos pontos que mais preocupam o povo no autoproclamado regime socialista: emprego, previdência social, assistência médica, educação, segurança no trabalho, desigualdade de renda, expropriações de terra e meio ambiente.Desemprego e educaçãoCerca de 84 milhões de chineses estão desempregados nas cidades e outros 100 milhões, no campo. Além disso, a cada ano 1,4 milhão de formados não encontram trabalho.Quase 800 milhões de camponeses não contam com o amparo da previdência social; além disso, metade dos 1,3 bilhão de chineses não tem condições de ir ao médico, devido aos custos proibitivos."Os membros da CCPPC chegaram à conclusão de que este é o momento adequado para estabelecer um sistema de subvenção básica para os 23,7 milhões de necessitados no campo", explicou Wu Jianmin, porta-voz do órgão, ao jornal Diário do Povo.Os nove anos de educação obrigatória não são gratuitos na China, por isso, em 2006, o PCCh decidiu começar a pagar as matrículas nas grandes áreas rurais do país.Diferença de rendaAs minas de carvão chinesas continuam sendo as mais perigosas do mundo, com cerca de 80% dos acidentes do setor global.As diferenças de renda mostram que os 10% mais ricos detêm cerca de 40% da riqueza. Já o coeficiente de Gini, usado pela ONU - onde 0 é a igualdade e 1 o máximo de desigualdade -, situa a China em 0,48, à beira da explosão social (0,5) e "pior do que nos Estados Unidos", destaca a imprensa oficial.Apenas em 2005 foram registrados 84 mil protestos no país, parte deles por expropriações ilegais de terra de cerca de 40 milhões de camponeses ao longo duas décadas.A sessão começou em meio a um espesso nevoeiro que cobre a capital chinesa - uma das mais poluídas do mundo - há uma semana. Cerca de 70% dos rios do país também estão poluídos, deixando 300 milhões de pessoas sem acesso à água potável.A credibilidade e a permanência do PCCh no poder - desde 1949 - dependem da solução desses graves problemas num país com uma população cada vez mais irritada e paranóica sobre o futuro, um dos motivos que impulsionam a emigração chinesa.´Democracia socialista´A reunião da CCPPC teve início dois dias antes do plenário anual da 10ª Assembléia Nacional Popular (ANP, legislativo), órgão que aprova de forma sistemática as decisões do Executivo, por meio de votação entre seus cerca de 3 mil delegados.Ambos os plenários são básicos este ano por serem os últimos antes da assembléia qüinqüenal do PCCh, em outubro, que apontará diretrizes e progressos até 2012 no Partido-Estado, além de indicar o sucessor do atual presidente Hu Jintao.A propaganda classifica as duas semanas como um exemplo da "democracia socialista". Na CCPPC, serão apresentadas 5.158 propostas, algumas curiosas, como transformar o Templo de Shaolin, berço do Kung Fu, em uma grande empresa, e declarar o Dia do Médico em honra ao que cuidou dos chineses feridos durante a invasão japonesa de 1939.Entre os delegados da CCPPC estão membros do governo, legisladores e intelectuais, mas também religiosos e artistas, como o cineasta Zhang Yimou.

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