Yuriko Nakao/Reuters
Yuriko Nakao/Reuters

Começa em Seul 2ª cúpula para prevenir terrorismo nuclear

Evento não aborda questão de não-proliferação e por isso a agenda não inclui os programas atômicos da Coreia do Norte e do Irã

Efe,

26 de março de 2012 | 10h08

SEUL - A 2ª Cúpula de Segurança Nuclear começou nesta segunda-feira, 26, em Seul com a presença de mais de 50 líderes que até terça-feira buscarão novos compromissos para reforçar o controle do material atômico existente no mundo e prevenir o terrorismo nuclear.

Um jantar de trabalho oferecido pelo presidente sul-coreano e anfitrião da cúpula, Lee Myung-bak, serviu para abrir oficialmente o encontro, que ocorre em meio a um forte esquema de segurança em Seul, com a mobilização de 40 mil soldados.

Barreiras móveis, alambrados e postos de controles eram vistos nesta segunda-feira nas avenidas próximas ao centro de convenções Coex, no sul da cidade e sede do maior encontro de segurança já realizado na Coreia do Sul.

A cúpula de Seul sucede a primeira de Washington de 2010, que ocorreu a pedido do presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, uma das autoridades presentes na capital sul-coreana junto com o chefe do Estado chinês, Hu Jintao, e o presidente em fim de mandato russo, Dmitri Medvedev.

Na reunião de Washington de 2010, os 47 países participantes se comprometeram entre outros pontos em garantir a segurança por quatro anos de todos os materiais nucleares que possam ser utilizados como explosivos, e fazer ações para minimizar o uso ou eliminar produtos perigosos como o urânio altamente enriquecido. Os líderes buscarão em Seul modelar a vontade política de Washington em um plano concreto.

Durante o jantar de abertura, que durou 1h30, os dirigentes coincidiram que houve "progressos substanciais" desde 2010, destaque para a importância de realizar eventos como este em Seul para criar uma consciência comum da ameaça que representa o terrorismo nuclear.

Dezenas de líderes e ministros, entre eles Obama, os presidentes da Rússia e do Paquistão, e os representantes de Israel e México, expuseram os avanços e a situação em seus países em um ambiente "sério e sincero", informou uma fonte oficial sul-coreana.

Aos chefes de Estado e de Governo e aos ministros dos países presentes se somam à cúpula o secretário-geral da ONU, Ban Ki-moon, e os responsáveis do Conselho Europeu, da Comissão Europeia, e da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA) e da Interpol.

Todos participarão nesta terça-feira das sessões plenárias, que abordarão vias para garantir a segurança de materiais de alto risco como urânio enriquecido e plutônio, prevenir o tráfico ilícito, proteger as instalações e usinas atômicas e garantir o manejo de produtos radioativos que poderiam ser utilizados em "bombas".

A cúpula procura dar apoio as atividades da AIEA vinculadas à segurança nuclear e acelerar a adesão de acordos como a Convenção Internacional de Atos de Terrorismo Nuclear e a de Proteção Física de Materiais Nucleares, dois dos principais instrumentos internacionais neste tema.

O acidente na usina nuclear de Fukushima no ano passado obrigou a reunião a colocar em pauta a segurança das usinas atômicas e sua relação com a prevenção contra delitos nucleares, sobre o que falará o primeiro-ministro japonês, Yoshihiko Noda.

O líder, que chega a Seul no fim do dia de hoje, analisará as lições aprendidas com Fukushima, que sofreu o pior acidente nuclear desde Chernobyl, e vai detalhar as medidas adotadas pelo Japão para evitar que o material atômico caia em mãos de grupos hostis.

A 2ª Cúpula de Segurança Nuclear, da mesma forma que a primeira, não aborda a questão de não-proliferação e por isso a agenda não inclui os programas atômicos da Coreia do Norte e do Irã, dois assuntos que, no entanto, estiveram muito presentes em encontros bilaterais anteriores.

Entre os líderes com os quais se reuniu entre ontem e hoje o presidente sul-coreano, Lee Myung-bak, estiveram os dos Estados Unidos, China e Rússia, países participantes das estagnadas conversas de seis lados sobre o programa nuclear norte-coreano.

Todos expressaram sua preocupação com o plano de Pyongyang de lançar um satélite em abril, que é amplamente entendido como teste acobertado para o desenvolvimento de mísseis de longo alcance com capacidade nuclear, contra as resoluções do Conselho de Segurança.

Por isso, inclusive a China, tradicional aliado da Coreia do Norte, assinalou que tentará dissuadir Pyongyang desse projeto diante das repercussões que pode ter para a estabilidade na península das Coreias.  

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