Começa julgamento contra ex-assessor de Cheney

Começou formalmente nesta terça-feira o julgamento de Lewis "Scooter" Libby, o ex-chefe de gabinete do vice-presidente dos Estados Unidos, Dick Cheney, acusado de mentir para a Justiça sobre o vazamento da identidade de uma agente da CIA.Os procedimentos foram abertos com a realização de entrevistas com cerca de 60 cidadãos, que formarão o júri do tribunal. Quase todas as perguntas se focaram nas idéias políticas dos candidatos a jurados.Libby é acusado de perjúrio e obstrução da investigação no "caso Plame", no qual um alto funcionário do governo revelou à imprensa que Valerie Plame, a mulher de um diplomata crítico à guerra no Iraque, era agente da CIA.Os advogados de ambas as partes interrogaram os potenciais membros do júri sobre diferentes assuntos, como suas opiniões pessoais sobre o governo do presidente dos Estados Unidos, George W. Bush.O processo acontece em Washington, uma "cidade democrata", o que, a princípio, poderia prejudicar os interesses da defesa de Libby."Qual sua preferência política?", "Por favor, descreva suas opiniões sobre o vice-presidente Dick Cheney" ou "Tem sentimentos intensos sobre a guerra no Iraque?" são algumas das questões que os advogados de Libby colocaram aos cidadãos envolvidos no processo de seleção.Uma das principais testemunhas no processo será o próprio Cheney, que será chamado a depor pela defesa e que qualificou Libby como "um dos homens mais honrados" que conhece.Em julho de 2003, o colunista Robert Novak revelou que Valerie Plame era uma agente secreta da CIA.Plame é mulher do ex-embaixador Joseph Wilson, que em 2002 foi enviado ao Níger para informar sobre o possível interesse do Iraque em adquirir urânio deste país para usá-lo em armas nucleares. Wilson informou que não tinha encontrado nenhum indício que confirmasse as suspeitas e, quando Bush justificou a invasão do Iraque com o argumento contrário, Wilson tornou pública sua divergência.Uma semana depois, o nome de Plame apareceu na coluna de Novak, revelado pelo então subsecretário de Estado, Richard Armitage, como o próprio reconheceu em setembro passado.A acusação contra Libby chegou em conseqüência de suas mentiras diante da Justiça durante a investigação e de suas manobras para colocar obstáculos.

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