Começa julgamento de editor da <i>Playboy</i> na Indonésia

O editor da versão indonésia da revista Playboy começou a ser julgado na quinta-feira sob a acusação de distribuir fotos indecentes e de lucrar com essas imagens, o que pode lhe valer uma pena de até 32 meses de prisão.A primeira edição da revista na Indonésia, que chegou às bancas em abril, provocou protestos, mas não trouxe fotos de mulheres nuas e se mostrou mais discreta do que muitas outras revistas vendidas nesse que é o país muçulmano mais populoso do mundo.No primeiro dia do julgamento, Ewin Arnada, editor-chefe da revista, argumentou que a Playboy contribuiria positivamente para o desenvolvimento de uma sociedade plural. Mas a promotoria disse à corte do sul de Jacarta que a publicação é luxuriosa e ilegal."Fotos, desenhos e artigos da revista Playboy Indonésia foram escolhidos pelo réu. Esse material não é adequado à comunidade civil e poderia despertar a luxúria entre os leitores, violando, assim, os sentimentos de decência", afirmou o promotor Resni Muchtar.O caso envolve a primeira edição da revista.As demais edições da Playboy Indonésia continuam sendo vendidas nas cidades do país, apesar de ataques ocorridos contra a sua sede, em Jacarta. O governo não dá sinais de que tentará proibir a publicação.A polêmica em si perdeu gás depois de a Playboy Indonésia, antes da edição de junho, ter transferido suas atividades para Bali, uma ilha hindu do arquipélago indonésio no qual os conservadores islâmicos possuem pouca penetração.A Indonésia possui uma população de 220 milhões de pessoas, das quais cerca de 85 por cento seguem o Islã. A maior parte dos muçulmanos são moderados. Mas a divulgação de imagens e textos de teor sexual é mais restrita no país do que no Ocidente.Nos últimos anos, revistas sobre comportamento dirigidas para a crescente classe média secular do país invadiram o mercado, entre as quais títulos picantes tendo por alvo leitores do sexo masculino tais como a Maxim e a FHM.No entanto, nenhuma delas chegou a publicar cenas de nudez.Fundada em 1953, a Playboy possui cerca de 20 edições em diversos países e procura refletir o gosto local em vez de simplesmente exportar seu conteúdo original norte-americano.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.