Hassene Dridi/AP
Hassene Dridi/AP

Começa julgamento de ex-presidente da Tunísia

Ben Ali é acusado de diversos crimes, inclusive homicídio e abuso de poder

Efe

20 de junho de 2011 | 11h14

ARGEL - O julgamento do ex-presidente tunisiano Zine El Abidine Ben Ali e de sua esposa, Leila Trabelsi, começou nesta segunda-feira, 20, no tribunal de primeira instância da Tunísia, em um ambiente tenso e com grande presença do público dentro e fora da sala.

 

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Ben Ali e sua mulher, foragidos da justiça desde 14 de janeiro, quando deixaram o país e refugiaram-se na Arábia Saudita, não estarão no julgamento.

 

Acusado de homicídio, abuso de poder, complô contra a segurança do Estado, desvio de recursos e inclusive lavagem de dinheiro, entre outras acusações, Ben Ali pode pegar, se condenado, de cinco anos de prisão à pena de morte.

 

As autoridades transitórias da Tunísia se mobilizaram desde sua fuga do país para tentar detê-lo e extraditá-lo.

 

Além da jurisdição civil, Ben Ali deve ser processado diante de um tribunal militar por 35 dos 93 delitos dos quais é acusado, como anunciou há poucos dias o chefe do Governo provisório tunisiano, Beji Kaid Essebsi.

 

Ben Ali negou todas as acusações, segundo um comunicado divulgado por um de seus advogados na véspera em Beirute.

 

O presidente deposto afirma que nunca teve as quantias de dinheiro encontradas em sua residência, que as armas localizadas são fuzis de caça presentes de chefes de Estado e jamais usou ou possuiu entorpecentes.

 

No sábado, o secretário-geral da Ordem dos Advogados da Tunísia, Mohammed Rached Fray, havia anunciado sua rejeição categórica a defender a Ben Ali.

 

Fray foi designado para representar o ex-presidente, mas negou-se e disse que cinco de seus colegas vão garantir a defesa do acusado.

 

Ele será o encarregado unicamente da organização, cabe a ele "garantir o bom desenvolvimento do processo e respeito aos direitos da defesa", acrescentou.

 

Os protestos que levaram à queda de Ben Ali começaram em dezembro, depois que o jovem Mohamed Bouazizi ateasse fogo ao próprio corpo na localidade de Sidi Bouzid para protestar contra os maus-tratos das autoridades locais e da Polícia.

 

O episódio deu início aos protestos contra o Governo que se estenderam como pólvora até a queda do regime de Ben Ali e sua fuga à Arábia Saudita.

 

A revolta, batizada de "a revolução do jasmim", acabou com a morte de ao menos 300 pessoas e serviu de exemplo aos protestos similares em outros países africanos e do Oriente Médio conhecidos como "a primavera árabe".

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