Começa julgamento de ex-presidente paraguaio

O ex-presidente do Paraguai Luis González Macchi será submetido a partir desta segunda-feira a um julgamento oral e público, pelo suposto desvio fraudulento de US$ 16 milhões de dois bancos privados, que na época estavam sob a intervenção do Governo. O ex-chefe de Estado compareceu diante dos juízes Gustavo Amarilla, Sandra Farías e Miguel Said por seu suposto envolvimento na transferência para os EUA de US$ 16 milhões das instituições bancárias Unión e Oriental, que durante seu Governo estavam sob a intervenção do Banco Central do Paraguai (BCP).Ao entrar no tribunal, González Macchi afirmou que o processo "foi uma trama criada por (Javier) Contreras" - ex-promotor de crimes econômicos que em 2003 o acusou de crimes contra a economia logo após o fim de seu mandato -, e garantiu que está preparado para "desmantelá-la".Já o advogado de defesa, Enrique Bachetta, declarou que "o ex-presidente não poderia ter tido influência nas decisões tomadas pelas pessoas que fizeram as transações durante seu mandato, por isso não pode ser acusado de responsável".A primeira sessão foi interrompida pouco após o início por um pedido da defesa, que solicitou a inclusão de novas provas. O julgamento prosseguirá na próxima quarta-feira. A Promotoria de Crimes Econômicos acusa González Macchi de quebra de confiança na liquidação dos dois bancos - crime com pena máxima de 10 anos de prisão - como suposto responsável pela operação fraudulenta.O ex-superintendente de Bancos do BCP, José Pecci, já condenado a oito anos de prisão nesse caso, acusou o ex-presidente de ter sido informado da transferência dos fundos e de tentar se apropriar de um dos bancos sob intervenção.Além de Pecci, foram condenados o ex-membro do Diretório do BCP, Julio González Ugarte (10 anos de prisão), e os empresários Fernando Rodríguez Leith e Ramón Guillén (sete anos de reclusão).Por outro lado, o BCP informou em janeiro deste ano que um juiz de Nova York tinha julgado a favor da entidade em um processo apresentado pela matriz do banco, para recuperar o dinheiro que foi desviado para ser investido nos EUA em uma operação de alto rendimento.O BCP acrescentou que o juiz nova-iorquino ordenou a restituição de US$ 15.149.014 ao Estado paraguaio, a serem depositados em uma conta do Citibank em Manhattan.O ex-presidente tem outras ações contra si, entre elas uma por suposto desvio de fundos em um programa de ajuda a camponeses do departamento de San Pedro (no centro do país), apoiado pela ONU, e outra por suposto enriquecimento ilícito, após constatar a existência de uma conta na Suíça com mais de US$ 300 mil.González Macchi chegou ao poder vindo da Presidência do Senado, após a crise no país em março de 1999, como conseqüência do assassinato do vice-presidente, Luis María Argaña, e a renúncia do então governante Raúl Cubas.

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