AFP PHOTO / THOMAS COEX
AFP PHOTO / THOMAS COEX

Começa julgamento de menor palestina acusada de agredir soldados israelenses

Ahed Tamimi foi presa em dezembro depois que foi postado um vídeo no qual ela aparecia batendo em soldados israelenses na cidade de Nabi Saleh, na Cisjordânia

O Estado de S.Paulo

13 Fevereiro 2018 | 14h45

TEL-AVIV - O julgamento de uma jovem palestina acusada de agredir soldados israelenses, após a divulgação de um vídeo que viralizou nas redes sociais, começou nesta terça-feira, 13, a portas fechadas em um tribunal militar em Israel.

Tribunal de Israel adia julgamento e mantém presa jovem palestina

O juiz ordenou que jornalistas, diplomatas e o público presente deixasse a sala sob o argumento de que Ahed Tamimi está sendo julgada como menor de idade.

Somente os familiares foram autorizados a presenciar o julgamento no tribunal militar de Ofer, na Cisjordânia ocupada.

Ahed Tamimi foi presa em dezembro depois que foi postado um vídeo no qual ela aparecia batendo em soldados israelenses na cidade de Nabi Saleh, na Cisjordânia ocupada.

No vídeo os soldados permanecem impassíveis diante da agressão, que se assemelha mais a uma provocação do que a uma intenção de ferir.

A mãe de Ahed Tamimi, Nariman, e sua prima Nour, também vistas no vídeo, serão julgadas.

O vídeo foi feito no contexto dos protestos palestinos quase cotidianos contra a decisão do presidente americano, Donald Trump, de reconhecer Jerusalém como capital de Israel.

Vários jornalistas locais e internacionais foram cobrir o julgamento de Tamimi nesta terça, que se tornou um tipo de ícone para os palestinos e defensores de sua causa no mundo.

Anistia Internacional pede libertação de menor palestina acusada de agredir soldados israelenses

Normalmente os julgamentos de menores de idade em um tribunal militar ocorrem a portas fechadas, mas a advogada de Tamimi disse que desta vez seria aberto e que ela pediu que fosse assim.

"Eles entendem que as pessoas fora do tribunal militar de Ofer estão interessadas no caso de Ahed, entendem que seus direitos foram violados e seu julgamento é algo que não devia acontecer, e realizá-lo a portas fechadas é a melhor forma de que tudo isso não fique em evidência", disse a advogada de Tamimi, Gaby Lasky, aos jornalistas após o juiz objetar a abertura da audiência para imprensa e diplomatas. 

Ahed Tamimi chegou ao tribunal militar perto de Jerusalém, na Cisjordânia ocupada, com um uniforme de presa, mãos e pés algemados, e sorriu quando viu que os jornalistas começaram a fotografá-la. 

Seu pai, Bassem Tamimi, gritou a ela "se mantenha forte, você vai ganhar".

As autoridades israelenses acusam sua família de usar a filha para incitar a provocação.

A jovem tem 12 acusações que incluem agressão e poderiam custá-la vários anos na prisão de for considerada culpada.

As acusações estão relacionadas com as ações vistas no vídeo e outros cinco incidentes por supostamente jogar pedras, incitar e fazer ameaças no contexto dos protestos vividos nessa região.

A mãe de Tamimi, Nariman, e sua prima Nour, também tinham que comparecer ao tribunal nesta terça-feira, mas não estava claro se o processo continuava como o previsto.

Ahed Tamimi e sua mãe foram ordenadas a ficarem presas até que seus processos terminem, enquanto sua prima ficou em liberdade sob fiança.

O Escritório do Alto Comissariado das Nações Unidas para os Direitos Humanos criticou as ações das autoridades israelenses neste caso, enquanto a União Europeia manifestou sua preocupação com a detenção de menores por Israel, incluindo Ahed Tamimi.

A Anistia Internacional pediu a sua libertação imediata, dizendo que "a detenção contínua é uma tentativa desesperada de intimidar crianças palestinas que se atrevam a resistir à repressão das forças de ocupação". /AFP

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.