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Patrick Semansky / AP
Patrick Semansky / AP

Começa julgamento de policial acusado pela morte de jovem negro em Baltimore

William G. Porter, de 26 anos, foi indiciado por homicídio, agressão, descuido e má conduta no exercício da profissão; ele, que também é negro, se declarou inocente de todas as acusações

O Estado de S. Paulo

30 de novembro de 2015 | 12h23

BALTIMORE, EUA - Sete meses depois da intensa onda protestos em razão da morte de Freddie Gray, um jovem negro de 25 anos ferido enquanto estava sob custódia da polícia, a cidade americana de Baltimore, no Estado de Maryland, inicia nesta segunda-feira, 30, o julgamento do primeiro dos seis policiais acusados no caso.

Neste segunda acontecerá a escolha do júri que analisará as acusações contra o policial William G. Porter, de 26 anos, em um tribunal da cidade. Ativistas do movimento "Vidas Negras Importam" consideram esse primeiro julgamento com um teste para o sistema de Justiça de Baltimore e dizem que o resultado deve ter amplo impacto localmente.

Além disso, especialistas em legislação dizem que se Porter for absolvido, isso pode tornar mais difícil para os procuradores buscarem a condenação dos outros cinco policiais. 

Porter é acusado de homicídio, agressão, descuido e má conduta no exercício da profissão, mas ele se declarou inocente em relação a todas as acusações. A promotoria diz ainda que o policial ignorou os apelos de Gray por ajuda médica e falhou ao não prendê-lo com cinto de segurança, violando uma norma do departamento de polícia local.

O julgamento acontecerá num contexto de protestos contra a conduta da polícia em outras cidades, incluindo Chicago e Minneapolis, onde os moradores têm se manifestado contra a morte de negros por policiais brancos. 

Nesse caso, porém, há uma diferença fundamental: assim como Gray, o policial Porter também é negro e também cresceu em Baltimore, uma cidade em que os afro-americanos superam os moradores brancos em uma proporção de 2 para 1.

O juiz do caso, Barry G. Williams, do Tribunal de Baltimore, também é Afro-americano e tem experiência processar policiais do período em que trabalhou como advogado da Divisão de Direitos Civis do Departamento de Justiça. O procurador do Estado que atua no caso, Marilyn Mosby, também é negro.

"Todos estão interessados no caso de Freddie Gray", disse Deray McKesson, um cidadão que nasceu e cresceu em Baltimore e lidera nacionalmente o movimento Vidas Negras Importam. "É um dos indiciamentos mais óbvios feito por um promotor. Acho que as pessoas estão olhando para este caso como um termômetro: é possível condenar um policial?"

Protestos. As autoridades de Baltimore se preparam para um onda de protestos que deve ocorrer nesta segunda-feira na cidade em razão do julgamento, incluindo a possibilidade de novos e violentos distúrbios - especialmente se Porter for absolvido.

O chefe da polícia de Baltimore, Kevin Davis, afirmou que a divisão gastou cerca de US$ 2 milhões em equipamentos de ponta para o controle de manifestações. Davis disse também que os policiais receberam treinamento para lidar com essas situações.

Segundo ativistas locais, as autoridades estão certas em se preocuparem com a possibilidade de novos protestos. "As pessoas estão aguardando um veredicto que confirme a culpa do policial pelas acusações", disse Sharon Black, organizadora da Assembleia do Poder Popular de Baltimore, um dos grupos que prepara as manifestações na cidade. "Pode ser uma visão impopular para alguns, mas nunca aconteceu algo em Baltimore até os jovens se rebelarem", disse.

Freddy Gray foi preso pela polícia de Baltimore no dia 12 de abril, por volta das 20h40, depois de fugir de dois policiais em bicicletas. Ele foi acusado de portar um canivete e enquanto estava em custódia policial, sofreu um ferimento grave na coluna vertebral que obrigou a polícia a levá-lo para um hospital, onde ficou até sua morte, uma semana depois. / NYT

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