Começa julgamento em Guantánamo de 5 acusados do 11/9

Khalid Sheik Mohammed, tido como o mentor dos ataques, e outros 4 réus recusam-se a colaborar e tumultuam Corte militar

GUANTÁNAMO, CUBA, O Estado de S.Paulo

06 Maio 2012 | 03h05

O julgamento de cinco homens acusados de planejar os ataques do 11 de Setembro começou de forma tumultuada ontem, na base naval americana de Guantánamo, em Cuba. Entre os réus está o kuwaitiano Khalid Sheik Mohammed, apontado como o mentor dos ataques de 2001.

O tribunal colocará à prova a política do governo Barack Obama para os acusados de terrorismo ainda detidos na ilha. O fechamento de Guantánamo em um ano foi promessa de campanha de Obama em 2008, mas a infame prisão em território cubano continua em funcionamento.

Com o julgamento iniciado ontem, a Casa Branca não quer apenas condenar - e eventualmente executar - os cinco acusados de planejar o 11 de Setembro, mas também mostrar que os tribunais militares instituídos por Obama são legítimos.

Os cinco réus desafiaram ontem o juiz do tribunal, coronel James Pohl. Eles se recusaram a responder as perguntas do magistrado e retiraram os fones de tradução simultânea.

"Não se pode recusar a participar e frustrar os trabalhos da Corte", protestou Pohl. Ele, então, trouxe à sala um tradutor, que passou a falar em árabe em voz alta. Um advogado de defesa disse que seu cliente retirara os fones por causa "das torturas sofridas" e "estava em sofrimento".

Ramzi Binalshibh, um dos acusados, interrompeu o julgamento aos berros em árabe e inglês. "A era de Kadafi terminou, mas continua nesta prisão. Talvez vocês não me vejam mais, há ameaças por aqui. Talvez eles nos matarão e dirão que cometemos suicídio." O juiz respondeu-lhe, também aos gritos, que ele poderia tratar desses assuntos durante o julgamento, mas não naquele momento. "A hora de tratar desses temas é agora, não amanhã", retrucou Binalshibh.

Seis parentes de vítimas do 11 de Setembro escolhidos por sorteio assistiram à sessão no tribunal de Guantánamo, em uma ala da base conhecida como Camp Justice. Em Nova York e em pontos da Costa Oeste foram montadas salas com transmissão ao vivo para o restante dos parentes.

Mohammed, o principal acusado, permaneceu em silêncio durante o julgamento, em contraste com suas atitudes em outros tribunais. Em 2009, o governo Obama tentou julgá-lo em uma Corte civil de Nova York, a poucos quilômetros do Marco Zero. Mas protestos de republicanos e democratas obrigaram a Casa Branca a recuar.

Advogados de defesa voltaram a reclamar das regras do Tribunal militar. Eles só podem apresentar provas com aval da procuradoria e não têm livre acesso aos clientes. / NYT

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