Começa julgamento na Argentina por bebê roubado na ditadura

Pablo Gaona Miranda foi sequestrado quando tinha um mês de vida e recuperou a verdadeira identidade em 2012

O Estado de S. Paulo

11 de agosto de 2014 | 17h48

BUENOS AIRES - O julgamento pela apropriação ilegal de Pablo Gaona Miranda, cujos pais foram sequestrados durante a ditadura militar argentina (1976-1983), começou nesta segunda-feira, 11, em Buenos Aires, informaram fontes judiciais.

O julgamento ocorre em um tribunal federal da capital, integrado pelos juízes Adriana Palliotti, Oscar Alberto Hergott e Ángel Gabriel Nardiello. Os réus do processo são Salvador Norberto Girbone e Haydeé Raquel Ali Ahmed, acusados de terem se apropriado de Gaona e o registrado como filho biológico.

O ex-militar Héctor Girbone, primo de Salvador, que em 1978 estava sediado na Escola de Cavalaria da guarnição militar do Campo de Mayo, nos arredores de Buenos Aires, também é acusado, como responsável de ter entregue o menino ao casal.

Na primeira audiência, Pablo, a avó paterna dele, Justa Paiva, e os tios paternos, Oscar, Gilberto e Rigoberto Gaona prestaram depoimento.

O julgamento continuará na terça-feira, com o depoimento de María Laura Rodríguez, da área de Apresentação Espontânea das Avós da Praça de Maio, que entrevistou o jovem quando ele procurou a organização com dúvidas sobre sua identidade. Também prestarão depoimento Mariana Sulkes, da Comissão Nacional pelo Direito à Identidade (Conadi), e peritos do Banco Nacional de Dados Genéticos da Argentina.

As outras audiências ocorrerão nos dias 19, 25 e 26 de agosto, quando será definido o veredicto, conforme previsto pelo tribunal.

Pablo é filho de María Rosa Miranda e Ricardo Gaona Paiva, dois desaparecidos durante a última ditadura militar na Argentina e foi sequestrado quando tinha apenas um mês de vida.

Com dúvidas sobre sua identidade, procurou as Avós da Praça de Maio e, em razão dos indícios de que era filho de desaparecidos, foi levado pela Conadi para fazer exames no Banco Nacional de Dados Genéticos.

Em agosto de 2012, o resultado do exame de DNA revelou sua verdadeira identidade e Pablo pode finalmente se reencontrar com sua família biológica. / EFE

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