Começa julgamento por massacres de Sabra e Chatila

A primeira audiência de um processo para determinar a responsabilidade do primeiro-ministro israelense Ariel Sharon nos massacres de Sabra e Chatila, cometidos em 1982, começou nesta quarta-feira em Beirute, a capital libanesa. Fontes judiciais indicaram que o juiz de instrução Hatim Madi ouviu o depoimento de uma mulher libanesa, Ammuna Yunis, sobre o que ocorreu em setembro de 1982 nos campos de refugiados nos arredores de Beirute, durante a invasão do Exército israelense, operação denominada "Paz na Galiléia".No dia 15 daquele mês, os milicianos cristãos das Forças Libanesas (FL), próximas a Israel e lideradas por Elie Hobeika - morto em um atentado em 24 de janeiro passado em Beirute - penetraram nos dois campos, contando com a cumplicidade das tropas israelenses, que permaneceram do lado de fora dos campos e, durante três dias, torturaram e mataram milhares de pessoas, em sua maioria mulheres, crianças e idosos. Naquela época, Sharon era ministro da Defesa e estava à frente da operação "Paz na Galiléia". No ano seguinte, em razão de uma investigação feita por uma comissão israelense que o considerou "indiretamente" culpado pelo massacre, o "falcão" do Partido Likud renunciou ao cargo. Yunis declarou nesta quarta-feira, perante o tribunal, ter visto com seus próprios olhos o mesmo Sharon "a cerca de 20 metros" de sua casa, nos arredores do campo, "enquanto observava com um binóculo o que faziam os milicianos e falava por um aparelho de rádio". A segunda audiência foi marcada para 21 de abril, e o juiz deverá escutar no total 21 pessoas, na maioria palestinos, entre testemunhas e sobreviventes da tragédia. Em julho passado, Hobeika, que se havia afastado da política há dois anos, disse que tinha provas contra Sharon, após um grupo de sobrevivientes apresentar uma queixa contra o premier perante a Justiça belga por crimes cometidos contra a humanidade. A decisão do tribunal belga sobre a admissão de um julgamento de Sharon é esperada para 6 de março próximo.

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