EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ
EFE/MIGUEL GUTIÉRREZ

Começa campanha para eleição legislativa mais disputada da era chavista

Votação marcada para 6 de dezembro renovará os 167 deputados da Assembleia Nacional, hoje controlada pelo chavismo; últimas pesquisas apontam margem de vitória folgada para a oposição

O Estado de S. Paulo

13 de novembro de 2015 | 11h52

CARACAS - A campanha eleitoral para a Assembleia Nacional da Venezuela mais disputada desde a chegada de Hugo Chávez à presidência, em 1998, começa nesta sexta-feira, 13, com a oposição tentando superar o chavismo em assentos no Parlamento, que há quase 15 anos tem a maioria do total de 167 deputados.

Os venezuelanos vão eleger em 6 de dezembro 113 deputados de forma nominal e outros 51 serão escolhidos por listas de partidos, além de 3 em representação das comunidades indígenas. Cerca de 19 milhões de eleitores estão convocados para ir às urnas.

Caminhonete em Caracas faz propaganda de candidata da coalizão opositora MUD a Assembleia Nacional

 

Caminhonete em Caracas faz propaganda de candidata da coalizão opositora MUD a Assembleia Nacional

 

Caminhonete em Caracas faz propaganda de candidata da coalizão opositora MUD a Assembleia Nacional

 

Os dois principais adversários são o governista Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV) e seus 31 partidos aliados, que integram o Grande Polo Patriótico (GPP), e a coalizão opositora Mesa da Unidade Democrática (MUD), composta por 20 organizações.

A oposição deposita sua esperança nestas eleições na concretização de várias pesquisas de opinião divulgadas nos últimos meses que lhe dão uma margem de vitória folgada, devido fundamentalmente à crise econômica que o país atravessa.

O chavismo lançará vários de seus melhores concorrentes à lista de deputados, entre eles a primeira-dama Cilia Flores, o atual presidente da Assembleia, Diosdado Cabello, o ex-chanceler Elías Jaua e o medalhista olímpico Rubén Limardo, além de vários ex-ministros, cantores e jornalistas, alguns com pouca trajetória na política.

A MUD também tem uma lista de experientes políticos, vários deles líderes partidários, atuais deputados e também a primeira candidata transexual do país, a ativista Tamara Adrian. Entre outros, concorrem o secretário-geral da Ação Democrática (AD), Henry Ramos Allup, o coordenador do Primeira Justiça (PJ), Julio Borges, o vice-presidente do partido Um Novo Tempo (UNT), Delsa Solorzano, e o coordenador nacional do Vontade Popular (VP), Freddy Guevara.

A opositora María Corina Machado não pode concorrer em razão de uma medida judicial que tirou sua condição de parlamentar após ela se apresentar à Organização dos Estados Americanos (OEA) em representação do Panamá.

Atualmente, a base de apoio do governo tem 101 deputados, dos quais 3 são ex-opositores que se somaram nos últimos dois anos ao chavismo depois de se separarem da MUD por diferentes razões.

A eleição de 6 de dezembro será a quarta votação legislativa desde a chegada de Chávez à presidência. Houve eleições parlamentares em 2000 e 2005, nos quais grande parte da oposição pediu que a população não votasse, e em 2010.

Em razão do ocorrido nas eleições presidenciais de 2013, cujos resultados não foram aceitos pela oposição, Maduro propôs para as legislativas de 6 de dezembro um acordo pelo qual as partes se comprometem a respeitar a apuração oficial.

No entanto, a oposição rejeitou assiná-lo por entender que não contém as propostas que eles consideravam importantes, como a de impedir a "vantagem eleitoral" do governo através do uso de recursos estatais.

O presidente pediu, além disso, que seus simpatizantes criem o chamado "Comando Antigolpe", como uma forma de preparação ante o que chamou de "qualquer tentativa da direita de gerar caos e violência".

Críticas. A questão da observação eleitoral também gerou polêmica neste pleito, já que a oposição pediu a presença de missões da OEA, da União Europeia e da Organização das Nações Unidas. O Conselho Nacional Eleitoral (CNE) desprezou estes pedidos, e por fim uma missão da União de Nações Sul-americanas (Unasul) é que, após a polêmica em torno do líder da delegação, supervisionará as votações.

Uma delegação do parlamento europeu presidida pelo eurodeputado espanhol Ramón Jáuregui, que visitou o país na semana passada, também pediu permissão para estar presente na votação. Jáuregui disse que na Venezuela "não há fraude" eleitoral, mas garantiu que o governo tem "muito mais vantagens" do que a oposição pelo uso da máquina pública e de outras práticas.

O novo parlamento será constituído em 5 de janeiro, quando serão eleitos os órgãos de gestão e seu presidente. Se a oposição conseguir a maioria simples, pode também censurar ministros, desautorizar viagens do presidente e concordar que os tribunais possam julgá-lo. / EFE

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