Kim Kyung-Hoon/Reuters
Kim Kyung-Hoon/Reuters

Começa no Japão primeira campanha eleitoral pós-Fukushima

Candidatos focaram em Fukushima; acidente nuclear em 2011 ainda pesa na opinião pública japonesa

Reuters

04 de dezembro de 2012 | 08h48

FUKUSHIMA, JAPÃO - Candidatos foram às ruas nesta terça-feira, 4, no início oficial da campanha de eleições que devem levar o Partido Liberal Democrata (PLD) de volta ao poder no Japão, mas que pode prolongar os impasses políticos na terceira maior economia mundial.

A campanha eleitoral é a primeira no país desde o acidente nuclear de Fukushima, em 2011, e o incidente ainda pesa na opinião pública japonesa. Num sinal disso, o ex-premiê Shinzo Abe, do PLD, e o atual primeiro-ministro, Yoshihiko Noda, do Partido Democrático do Japão (PDJ), escolheram a província de Fukushima para iniciar seus comícios.

 

O papel das usinas nucleares é um dos grandes temas da campanha, depois do acidente de 2011 causado por um terremoto seguido de tsunami que deixou 160 mil desabrigados e destruiu o mito de que a energia atômica é segura, barata e limpa.

Recessão e disputas

 

Mas os eleitores também estão atentos às propostas dos partidos para resgatar o Japão do que parece ser a quarta recessão desde 2000 e para lidar com a ascensão da China, num momento em que uma disputa territorial acirra ânimos nacionalistas nos dois países. "Nossa missão é proteger a segurança das nossas crianças e do público, proteger nosso território e as lindas águas", disse Abe num comício em Fukushima, sob céu nublado. "Estamos determinados a conquistar a maioria com o partido Novo Komeito (aliado do PLD) e recuperar o poder."

No meio da multidão, um homem segurava um cartaz criticando o PLD por ter promovido a energia nuclear durante várias décadas. "Foi o PLD que construiu as usinas nucleares em Fukushima", dizia o cartaz. Depois do acidente de Fukushima, todos os reatores nucleares japoneses foram desligados. O PLD diz que pretende gradualmente reativar aqueles que forem considerados seguros. Já o PDJ tem a meta de abandonar totalmente a energia nuclear até 2030.

O PDJ chegou ao poder pela primeira vez em 2009, prometendo um governo de políticos, e não de burocratas, com mais atenção aos interesses dos consumidores do que das corporações. Noda é o terceiro premiê do partido desde então. "Esta eleição é sobre se iremos avançar com o que devemos fazer, ou voltar o relógio para a política do passado", disse Noda a simpatizantes em Iwaki, também na prefeitura de Fukushima.

As pesquisas sugerem que, entre 1,5 mil candidatos de 12 partidos, o PLD deve formar a maior bancada na câmara baixa, mas que sua vantagem sobre o PDJ está diminuindo. Isso abre a possibilidade de que uma aliança com o Novo Komeito não baste para o conservador PLD formar um governo, necessitando de um terceiro sócio para a coalizão. Uma opção para o PLD seria o recém-fundado Partido da Restauração do Japão, de direita, sob o comando do popular prefeito de Osaka, Toru Hashimoto. Outras possibilidades seriam se aliar a partidos menores, ou mesmo a um castigado PDJ.

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