Começa no Peru o julgamento de Montesinos

Vladimiro Montesinos, o homem acusado de ser o principal chefe da mais extensa rede de corrupção e chantagem da história do Peru, lançou mão de seu direito de permanecer em silêncio e negou-se a fazer declarações no primeiro dos 57 julgamentos aos quais deve se submeter. Pivô da queda do regime de Alberto Fujimori - destituído em 2000, depois de fugir para o Japão -, Montesinos foi levado, de helicóptero, da Base Naval de Callao, distrito a oeste de Lima, para a penitenciária de Lurigancho, a leste da capital peruana, onde o júri foi instalado.Nesta primeira audiência, Montesinos é acusado de ter traficado influência para conseguir a libertação de Américo Pérez, um meio-irmão de sua ex-amante Jacqueline Beltrán. Pérez, condenado por tráfico de drogas, recebeu indulto da Justiça por pressão de Montesinos. O ex-chefe da polícia secreta e ex-braço direito de Fujimori também usou sua influência para favorecer um tio de Jacqueline, Antonio Vera, acusado de fraudar um banco de crédito.Além de Montesinos, Jacqueline e Vera também estão sendo julgados como réus do mesmo processo. Se condenados, serão sentenciados a penas que vão de 4 a 5 anos de prisão.Montesinos baseava seu poder na distribuição de subornos a deputados, juízes, militares e outras personalidades da política peruana. A negociação dos subornos era gravada, sem o conhecimento do subornado, em fitas de vídeo, usadas depois como instrumento de chantagem.O ex-assessor de 57 anos sentou-se no lugar que lhe foi determinado, a menos de dois metros de sua ex-amante Jacqueline, sem sequer dirigir-lhe um olhar. Ele apresentou um pedido para o arquivamento dos processos previstos para esta semana, alegando que já está cumprindo uma pena maior do que a que lhe seria imposta se fosse condenado nestes casos - mas sua solicitação foi negada. "Nenhum recurso que impetramos foi aceito", disse a advogada de Montesinos, Estela Valdivia.Logo após o julgamento de hoje, Montesinos estará de volta ao tribunal na próxima sexta-feira, quando deverá responder pela entrega de US$ 25.000 em fundos públicos a um ex-candidato a prefeito para o financiamento de sua campanha em 1998.

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