Saul LOEB / AFP
Saul LOEB / AFP

Trump encontra Kim no Vietnã e diz esperar 'resolver um monte de coisas'

Líderes de EUA e Coreia do Norte se reúnem em hotel de Hanói, onde têm conversa privada de aproximadamente 20 minutos e um jantar com assessores; cúpula terá mais reuniões na quinta-feira

Redação, O Estado de S.Paulo

27 de fevereiro de 2019 | 08h39
Atualizado 27 de fevereiro de 2019 | 13h29

HANÓI - O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e o líder norte-coreano, Kim Jong-un, se mostraram otimistas nesta quarta-feira, 27, em Hanói no início de sua segunda cúpula, oito meses após o histórico encontro de Cingapura.

Ao se encontrarem, os dois líderes apertaram as mãos diante de uma fila de bandeiras americanas e norte-coreanas em um hotel de luxo na capital do Vietnã. Depois de um encontro particular de aproximadamente 20 minutos, os dois participaram de um "jantar social" com a presença de assessores, segundo a descrição fornecida pela Casa Branca.

Depois do jantar, o presidente americano disse esperar "resolver um monte de coisas" nos dois dias de reuniões. Segundo ele, a relação bilateral entre os dois países, a longo prazo, será maravilhosa.

Antes, em uma publicação no Twitter, o americano escreveu acreditar que China, Rússia, Japão e Coreia do Sul ajudarão nos esforços de desnuclearização da península coreana. Ele também previu que as negociações sobre o programa nuclear da Coreia do Norte serão "muito bem-sucedidas".

Kim, por sua vez, afirmou estar certo de que sua cúpula com Trump vai produzir resultados positivos. "Estou certo de que um resultado será alcançado desta vez, e será bem recebido por todas as pessoas", afirmou o líder norte-coreano ao colega americano. "Eu farei o meu melhor para que isso aconteça."

O presidente americano está sob pressão desde a primeira cúpula com o líder norte-coreano, em junho passado, que foi concluída com uma vaga declaração sobre a "desnuclearização da península coreana", mas sem compromissos concretos.

Relembre a primeira reunião dos dois em Cingapura:

Seus adversários temem que Trump faça muitas concessões, incluindo às custas de seus aliados sul-coreano e japonês, para clamar vitória e desviar a atenção do que acontece em Washington, onde seu ex-advogado Michael Cohen depõe ante uma comissão do Congresso. Questionado sobre essa audiência, Trump deu as costas.

Um fato incomum provocou tensões com a imprensa. A Casa Branca limitou o acesso aos dois líderes a uma pequena quantidade de jornalistas, muito menor que o habitual grupo de profissionais responsáveis por registrar fotografias, imagens e declarações.

Nenhum dos dois deu indicações sobre avanços concretos que poderiam ser anunciados na quinta-feira, o segundo e último dia desta cúpula na capital vietnamita.

'Meu amigo Kim'

Durante o jantar no Sofitel Legend Metropole, um luxuoso estabelecimento no centro da capital vietnamita, Trump esteve acompanhado por seu secretário de Estado, Mike Pompeo, e por seu chefe de gabinete, Mick Mulvaney. Kim foi com Kim Yong-chol, seu assessor de confiança, e com Ri Yong-ho, ministro das Relações Exteriores.

Horas antes da cúpula, o republicano previu um "futuro maravilhoso" para a Coreia do Norte se seu líder concordar em desistir de seu arsenal nuclear. 

O presidente referiu-se ao líder norte-coreano como "meu amigo", uma diferença brutal da época em que os dois trocavam insultos pessoais e ameaças de destruição no auge das tensões sobre os programas de armas norte-coreano.

Criticado pela falta de resultados tangíveis, Trump sugeriu que "os democratas deveriam parar de falar sobre o que (Trump) deveria fazer com a Coreia do Norte e ao contrário perguntar a si próprios porque não o fizeram durante os oito anos do governo Obama", em alusão ao seu antecessor na Casa Branca.

Os diálogos de dois dias visam a dar alguma definição à vaga declaração divulgada depois da histórica cúpula bilateral de Cingapura. Na ocasião, Kim se comprometeu a trabalhar "rumo à completa desnuclearização da península coreana", mas desde então os avanços diplomáticos estagnaram devido a desavenças sobre o que isto significaria.

Trump parece ter reduzido as expectativas americanas para a cúpula, ao afirmar que ficaria feliz se Pyongyang interrompesse seus contínuos testes nucleares e com mísseis.

Os Estados Unidos também poderiam aceitar gestos simbólicos, como a abertura de um escritório de contato ou uma declaração para encerrar oficialmente a Guerra da Coreia (1950-53), que terminou com um simples armistício.

Trump insiste que não está com pressa para convencer o Norte a desistir de seu arsenal nuclear, enquanto o país continuar sem disparar mísseis. 

Em Cingapura, Trump surpreendeu seus próprios colaboradores ao anunciar a suspensão de manobras militares conjuntas com a Coreia do Sul, uma demanda do Norte que as considera como a simulação de uma invasão de seu território. / AFP, EFE e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.