EFE/MAURICIO DUENAS CASTAÑEDA
EFE/MAURICIO DUENAS CASTAÑEDA

Começa o cessar-fogo definitivo na Colômbia

Nas primeiras horas do dia, diversas mensagens relacionadas ao fim das hostilidades foram publicadas e compartilhadas nas redes sociais

O Estado de S. Paulo

29 Agosto 2016 | 00h00

BOGOTÁ - O esperado cessar-fogo bilateral e definitivo entre o governo colombiano e as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc) começou à meia-noite local (2h em Brasília) desta segunda-feira, 29, uma decisão histórica que encerra 52 anos de conflito armado no país, graças ao acordo de paz negociado em Cuba.

"Neste 29 de agosto começa uma nova história para a Colômbia. Silenciamos os fuzis. Acabou a guerra com as Farc!", escreveu o presidente colombiano, Juan Manuel Santos, em sua conta no Twitter.

No primeiro minuto do dia, as mensagens relacionadas ao início do cessar-fogo inundaram as redes sociais para anunciar o que se denominou popularmente de um "novo amanhecer" para o país.

"A partir desta hora os colombianos começam a viver um momento histórico e desejado por anos #AdiosALaGuerra", publicou a Chancelaria em sua conta no Twitter.

O ministro da Defesa, Luis Carlos Villegas, e o alto comando militar e policial devem dar uma entrevista coletiva na manhã desta segunda-feira para fazer um balanço das primeiras horas do cessar-fogo.

No domingo, durante a abertura em Bogotá da 38.ª Caminhada da Solidariedade pela Colômbia, Santos pediu que os colombianos votem “sim” no plebiscito do dia 2 de outubro, que servirá para confirmar ou recusar o acordo.

“Mais de meio século de guerra nos deixou anestesiados, acostumados a que a cada dia morressem compatriotas, soldados, camponeses, guerrilheiros, em razão deste confronto absurdo”, acrescentou o chefe de Estado. “Nos acostumamos tanto com guerra que nos esquecemos como se sente a paz, como se sente um país normal.”

O cessar-fogo definitivo por parte das Farc também foi confirmado à tarde em Havana pelo chefe máximo da guerrilha, Rodrigo Londoño Echeverry, conhecido como “Timochenko”. “Muito emocionado preparando o anúncio mais importante que precisei fazer em minha vida, perante o mundo e a Colômbia”, escreveu ele em sua conta no Twitter.

O fim das hostilidades é um marco na história da Colômbia, que durante 52 anos viveu o conflito armado com o grupo guerrilheiro. A disputa deixou cerca de 8 milhões de vítimas e 220 mil mortos.

Desde o começo da negociação Santos defendeu que o cessar-fogo deveria acontecer na fase final do processo para evitar que qualquer incidente armado arruinasse os diálogos em Cuba. No entanto, desde 20 de julho de 2015 rege o último cessar-fogo unilateral das Farc como medida para criar confiança no processo de paz, que foi respondido pelo governo com a suspensão de bombardeios a acampamentos da guerrilha, o que reduziu de maneira considerável a intensidade do conflito.

“Este período de 13 meses continua sendo o de menor intensidade do conflito em seus 52 anos de história, em número de vítimas, combatentes mortos e feridos e ações violentas”, constatou em seu mais recente relatório o Centro de Recursos para a Análise de Conflitos (Cerac).

A redução das ações armadas é evidente nas zonas rurais onde, ao longo das últimas cinco décadas, se concentrou o conflito e onde o povo vê com esperança a chegada da paz, que se completará em um prazo de 180 dias a partir da assinatura do acordo.

Segundo o relatório do Cerac, durante o último mês esse organismo “não registrou ações nem das Farc nem da polícia contra esta guerrilha, evidenciando um cumprimento completo das partes dos compromissos bilaterais”.

Ficam pendentes outros passos do processo, como a conferência das Farc, na qual renunciarão à luta armada e decidirão sua transformação em partido político, que será realizada entre os dias 13 e 19 de setembro no sul do país. Igualmente falta a assinatura protocolar do acordo de paz, em um local e data ainda a definir, mas que será entre os dias 20 e 26 de setembro, e o plebiscito de 2 de outubro no qual os colombianos dirão nas urnas se aprovam ou não o que foi estipulado.

Completados esses passos, em um prazo de seis meses deverá estar concluída a desmobilização das Farc e os colombianos poderão entrar definitivamente em uma era de paz e de pós-conflito. / EFE e AFP

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