Começa o embargo americano a Havana

Produtos alimentícios não subvencionados, remédios e suprimentos médicos ficaram fora

Rose Saconi, O Estado de S.Paulo

19 de outubro de 2010 | 00h00

Há 50 anos

Em 19 de outubro de 1960, o Departamento de Estado dos Estados Unidos divulgou comunicado oficial anunciando a proibição de todas as exportações para Cuba. Ficaram proibidas também as vendas e transferências de navios americanos para o governo e cidadãos cubanos. "EUA: proibidas todas as exportações para Cuba, exceto remédios e alimentos", foi a manchete do Estado.

Segundo um comunicado do Departamento do Comércio, as medidas foram adotadas para proteger os negócios americanos da "política econômica discriminatória, agressiva e lesiva do governo revolucionário cubano".

As exceções ao embargo limitavam-se aos produtos alimentícios não subvencionados, medicamentos e suprimentos médicos. A notícia do embargo decretado pelo governo do presidente Dwight Eisenhower repercutiu em Havana como "mais um elo na longa cadeia de agressões diretas e indiretas", como escreveu um jornal local.

Na decretação do embargo, o governo americano também proibiu que mercadorias fossem exportadas para Cuba por meio de outros países. Não havia controle, no entanto, sobre produtos fabricados por empresas de origem americana instaladas fora dos Estados Unidos.

Assim como o Estado, que dedicou três colunas sobre o assunto na primeira página, a imprensa cubana utilizou um amplo espaço para tratar do bloqueio econômico e criticar a atitude dos EUA. "O embargo sobre as exportações não produziu qualquer surpresa em Havana, já que se esperava havia muito tempo a interrupção total do intercâmbio entre os dois países", dizia a imprensa local.

Canadá fora. A iniciativa de Eisenhower, no entanto, não teve aceitação unânime na América do Norte. No mesmo dia o primeiro-ministro do Canadá, John Diefenbaker, declarou que o país não seguiria os Estados Unidos nas sanções contra Cuba.

O embargo foi instituído menos de dois anos depois de Fidel Castro derrubar o ditador Fulgêncio Batista, que era apoiado por Washington. Na época, os Estados Unidos compravam mais da metade das exportações cubanas.

O bloqueio foi gradual. Primeiro, os EUA cortaram a ajuda externa, depois as cotas de açúcar que compravam de Cuba e, finalmente, impuseram o fim de todo o comércio com a ilha, quatro meses depois de Havana ter nacionalizado as propriedades americanas remanescentes no país.

As relações diplomáticas entre os dois países foram definitivamente rompidas em 3 de janeiro de 1961.

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