Começa propaganda para eleição presidencial argentina

Um dia depois da derrota do governo de Cristina Kirchner para o Partido Socialista nas eleições da província de Santa Fé, começa hoje a propaganda eleitoral de rádio e TV para as eleições presidenciais deste ano, marcadas para o dia 23 de outubro. A propaganda terá uma etapa inicial em que tentará convencer o eleitorado a participar das eleições primárias abertas, simultâneas e obrigatórias no dia 14 de agosto. Para poder competir em outubro, os candidatos precisam obter 300 mil votos nas primárias, que serão realizadas neste ano pela primeira vez no país, conforme a nova lei eleitoral argentina.

MARINA GUIMARÃES, CORRESPONDENTE, Agência Estado

25 de julho de 2011 | 19h38

A oposição afirma que a lei foi uma artimanha da presidente Cristina Kirchner e seu falecido marido, o ex-presidente Néstor Kirchner, morto em outubro, para excluir os pequenos partidos de oposição da disputa presidencial. Aprovada em 2009, logo após a primeira derrota governista nas eleições parlamentares de junho do mesmo ano, a lei polariza as eleições, ao reduzir as chances dos pequenos partidos. Além disso, a mudança não foi amplamente divulgada tanto para os eleitores como para os próprios partidos, segundo líderes da oposição e juízes eleitorais. Muitos partidos desconhecem que a chapa concorrente precisa obter 1,5% dos votos válidos emitidos para se habilitar ao pleito de outubro - o equivalente a 300 mil votos, segundo a justiça eleitoral.

Nove candidatos estão inscritos para a corrida presidencial, além da presidente Cristina Kirchner, que tentará a reeleição e aparece como favorita nas pesquisas de intenção de votos. Pelo menos três deles correm o risco de ficar fora do páreo, em consequência da aplicação da nova lei. Um deles é o histórico líder da Frente de Esquerda dos Trabalhadores, Jorge Altamira. Também correm risco o candidato Darío Pastore, do desconhecido Movimento de Ação da Vizinhança, e José Bonacci, do Partido do Campo Popular.

Governo x oposição - Cristina chegará às primárias com intenção de voto acima de 45% de acordo com as pesquisas de intenção de voto e chance potencial de vencer no primeiro turno da eleição, em 23 de outubro. Analistas políticos, como Rosendo Fraga, do Centro União para a Nova Maioria, apontam para a possibilidade da oposição levar a disputa para o segundo turno. Para ganhar no primeiro turno, Cristina precisa obter 45% dos votos e uma diferença mínima de 10% do segundo colocado. Segundo ele, a derrota do governo nos distritos mais importantes do país e de uma série de escândalos, que envolvem integrantes do governo, podem fortalecer a oposição.

"As derrotas nas eleições dos principais distritos eleitorais do país (Buenos Aires e Santa Fé, que se repetirão em Córdoba, cujas eleições serão realizadas no dia 7 de agosto e para os quais o governo não tem um candidato), talvez mostrem que a oposição tem alguma possibilidade de chegar ao segundo turno", disse Fraga. O governo obteve vitória em sete outras províncias menores.

Outro caso que pode tirar votos de Cristina, na opinião do analista, foi o uso político das investigações sobre a origem dos filhos adotivos da dona do jornal Clarín, Ernestina Noble. O governo acusou a empresária de ter adotado filhos de desaparecidos políticos, mas exames de DNA provaram o contrário.

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