Começa retirada de civis sírios sitiados em Homs

Centenas de moradores cercados por forças de Assad devem deixar a cidade em uma trégua de 3 dias; primeiro grupo de refugiados a sair apresenta sinais de subnutrição

O Estado de S. Paulo,

07 de fevereiro de 2014 | 10h25

Sírios carregam pertences e deixam Homs - Foto: Yazan Homsy/ Reuters

(Atualizada às 23h30) HOMS, SÍRIA - O primeiro desdobramento prático das negociações de paz entre a ditadura síria e os rebeldes que tentam depor o regime foi percebido na sexta-feira, 7, em Homs: pelo menos 83 civis encurralados em uma região da cidade sob controle dos insurgentes, cercada pelas forças oficiais, puderam deixar o local em segurança.

O acordo para a retirada das vítimas do conflito inclui um cessar-fogo de três dias para que as equipes de ajuda humanitária tenham acesso às áreas sitiadas em Homs.

Ônibus com dezenas de sírios, acompanhados por paramédicos do Crescente Vermelho, foram conduzidos para fora da cidade, até um local vigiado por soldados e policiais. De acordo com o Programa Mundial de Alimentação (PMA), muitos aparentavam estar subnutridos. Após exibir imagens de dois veículos que carregavam pelo menos 35 pessoas - em sua maioria mulheres, crianças e idosos -, a TV estatal síria afirmou que a expectativa era de que 200 pessoas, ao todo, seriam retiradas até o fim do dia e outras dezenas entre hoje e amanhã.

"Eles estavam vivendo de folhas, grama e azeitonas - e do que mais pudessem encontrar", disse a porta-voz do PMA, Elisabeth Byrs.

Estima-se que 2,5 mil civis e um número desconhecido de combatentes rebeldes estejam em meio aos combates entre os insurgentes e as forças da ditadura que cercam a região central de Homs. Pelo acordo, os civis poderão deixar a cidade e a ajuda humanitária será enviada para os que ficarem.

Não estava claro quando a assistência chegará às vítimas que não forem retiradas. Em entrevista à TV estatal síria, o funcionário da ONU que supervisiona o processo de retirada, Yacoub al-Hillo, afirmou que os suprimentos chegariam hoje.

Havia diferentes relatos sobre o lugar para onde seriam levados os retirados de regiões sitiadas. Funcionários do governo disseram que eles poderiam escolher o seu destino, mas o ativista Hassan Abuzain, de Homs, afirmou que seriam levados para Al-Waar, uma área ao noroeste da cidade, e temia que eles fossem "presos pelo regime mais tarde".

O ativista disse que um homem que se aproximou do primeiro ônibus que retirou os civis foi baleado, acusando as forças de Assad pelo ataque. O regime não comentou o fato - e tem acusado os rebeles de atirar contra comboios humanitários. Um outro ativista afirmou que um idoso também foi baleado por um franco-atirador durante a retirada. / REUTERS e NYT

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