Começa reunião da Alca em Buenos Aires

Começa nesta terça-feira em Buenos Aires a Oitava Reunião do Comitê de Negociações Comerciais da Área de Livre Comércio dasAméricas (Alca).Representantes de 34 países americanos discutirão os aspectos técnicos da integração comercial continental.Para issocruzarão informações e revisarão propostas elaboradas nas últimas reuniões que estão registradas em um documento de 900páginas.Os técnicos vão preparar o pano de fundo da Sexta Reunião de Ministros de Comércio dos países americanos, que será realizadana capital argentina nos dias 5 e 6. O encerramento geral será no sábado.Neste dia também ocorrerão reuniões bilateraisBrasil-Argentina para discutir as recentes modificações nas tarifas alfandegárias.Segundo fontes diplomáticas, entre osprincipais pontos do documento final estariam o pedido de co-presidência da Alca, que ficaria a cargo dos Estados Unidos eBrasil, conjuntamente.Fontes da diplomacia brasileira afirmaram ao Estado que houve uma sondagem por parte dos EUA ao governo brasileiro parafundamentar uma presidência conjunta e que esta fosse implementada antes do prazo previsto para as presidências individuaisdos EUA e do Brasil.?Não houve nenhuma reunião secreta como andaram dizendo por aí, mas somente sondagens?,explicaram.Entre os outros pontos estariam a definição de um calendário de discussões. A data do início da Alca, previsto para 2005,tem sido alvo de discussões.O único país que levantou a bandeira do adiantamento da data até agora foram os EUA. Segundo asfontes diplomáticas, o Chile também possui uma posição flexível sobre o assunto, mas até o momento não a expressouoficialmente.A posição do Mercosul, afirmaram, ?é única. Não discutimos datas. Somente conteúdos?.Enquanto diplomatas de todo o continente estiverem reunidos no centenário palácio San Martín, sede da chancelaria argentina, do ladode fora, as centrais sindicais prometem atrapalhar os trabalhos realizando uma megamanifestação de repúdio à Alca.Calcula-se que 1.500 lideranças sindicais de toda a América virão a Buenos Aires participar dos protestos.A cidade também será a sede de reuniões de empresários de todo o continente, que elaborarão uma proposta do setor para osgovernos.Além disso, nesta terça e quarta será realizado na capital argentina um seminário sobre os estados federais e provínciasdos países que integram o Mercosul.Está prevista a participação do governador do Estado de São Paulo, Geraldo Alckmin, eJaime Lerner, do Paraná.Fontes do governo brasileiro afirmaram ao Estado que as medidas tomadas pelo ministro da Economia da Argentina, DomingoCavallo, para reativar a economia ?poderiam ter impacto fiscal, mas sem possibilidades de crescimento este ano?.As fontes afirmaram que a medida argentina de modificar as tarifas externas do Mercosul unilateralmente ?não são umadesculpa. Esta é uma crise muito feia?.Por enquanto os dois governos não definiram o que seria um ?prazo razoável? para apermanência da modificação das tarifas por parte da Argentina.O panorama no futuro breve das negociações entre os dois países preocupa, segundo fontes diplomáticas, já que o atual chanceler, Adalberto RodríguezGiavarini, ?está perdendo protagonismo? dentro do governo, em detrimento do ministro Cavallo, ?que não sabemos como vai comportar-se?.

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