Começa reunião de líderes no Sul da Ásia

A XI reunião da Associação do Sul Asiático para a Cooperação Regional (SAARC) teve início este sábado, em Katmandu, no Nepal, e continuará até domingo com a presença dos chefes de Estado e de governo da Índia, Paquistão, Sri Lanka, Nepal, Bangladesh, Butão e Ilhas Maldivas. A reunião começou com um dia de atraso, pois o presidente paquistanês, general Pervez Musharraf, ficou retido na China devido ao mal tempo. O encontro, aberto por um discurso da presidente do Sri Lanka, Shandrika Kumaratunga, acontece em um cenário de tensão entre as duas potências nucleares da região, a Índia e o Paquistão. Ao terminar seu discurso na abertura, o presidente paquistanês estendeu a mão ao primeiro-ministro indiano, Atal Behari Vajpayee, no que garantiu ser um sinal de ?amizade sincera?. O premiê indiano, que até hoje não tinha comparecido a nenhuma reunião formal em que estivesse presente o líder paquistanês, sorriu e retribuiu o gesto, apertando a mão de Musharraf. Em seu discurso, Musharraf afirmou que seu país está comprometido a conservar a paz no sul asiático, frisando que os conflitos que afetam a região devem ser resolvidos de forma a que durem muito tempo. Ele lembrou que entre as finalidades da Associação estão resolver disputas e aumentar a integração regional. Citou também os atentados de 11 de setembro em Nova York, e disse que os países ali reunidos deveriam se esforçar para combater as causas do terrorismo. Como se mandasse um recado à Índia, Musharraf disse que seu país é uma vítima do terrorismo e dedica-se a combatê-lo; e que está pronto para conversar com os os indianos a fim de resolver o impasse entre os dois países. Na guerra de declarações, o indiano Vajapyee afirmou ter ficado contente com a atitude de Musharraf em estender-lhe a mão, mas disse que ?o presidente do Paquistão deve prolongar esse gesto coibindo as atividades que permitam aos terroristas praticarem atos violentos contra a Índia?. Este país acusa o Paquistão de financiar e estimular grupos que lutam pela autonomia da região da Caxemira. A crise alcançou seu auge com o atentado ao parlamento indiano, no mês passado, que deixou 13 mortos. Ao mesmo tempo em que os dois líderes se cumprimentavam cordialmente no Nepal, duas aldeias da região do sul da Caxemira indiana foram alvo de intensos disparos de morteiro procedentes do Paquistão. O ataque começou por volta das 10h, horário local (2h30 no Brasil). Não há informações sobre vítimas. O clima tenso que envolve a reunião está ligado também à situação de insegurança interna no Nepal, país que, nos últimos meses, vive sob ataques intensos de guerrilheiros rebeldes de inspiração maoísta e que assistiu a uma tragédia palaciana na qual o Príncipe herdeiro assassinou o Rei e parte de Família Real, suicidando-se logo em seguida. Homens armados vigiam as ruas da capital durante o encontro e o céu de Katmandu é percorrido por helicópteros, tentando garantir a segurança dos chefes de Estado e de Governo reunidos contra eventuais atentados terroristas. Durante a cerimônia de abertura da cúpula, a maior parte dos dirigentes vestia trajes típicos de seus países. O encontro deve encerrar-se com a adoção de uma declaração conjunta versando sobre a redução da pobreza, a cooperação econômica entre os países membros, a luta contra as drogas, a prostituição, o tráfico de mulheres e crianças e o terrorismo internacional.

Agencia Estado,

05 Janeiro 2002 | 06h57

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