Começa seleção do júri para o caso dos atentados na Maratona de Boston

Escolhidos deverão decidir se o jovem planejou e executou as duas ofensivas com bombas no evento de 15 de abril de 2013

O Estado de S. Paulo

05 de janeiro de 2015 | 12h09

A seleção do júri para o caso de Dzhokhar Tsarnaev, acusado de ser o responsável pelos ataques na Maratona de Boston, começou nesta segunda-feira. Os escolhidos deverão decidir se o jovem planejou e executou as duas ofensivas com bombas no evento de 15 de abril de 2013, quando morreram três pessoas e mais de 260 ficaram feridas perto da linha de chegada. Se ele for julgado culpado, os júris decidirão se Dzhokhar Tsarnaev será condenado à pena de morte.

Os advogados de Tsarnaev tentaram em vão, durante meses, transferir o julgamento de lugar, argumentando que o júri de Boston estava marcado por causa do número de moradores ligadas ao ocorrido. Eles traçaram paralelos com o caso Timothy McVeigh, do atentado de Oklahoma em 1995, cujo julgamento foi transferido por razões semelhantes.

A seleção do júri deve durar várias semanas por causa da extensa cobertura da mídia. O processo também pode ser retardada, se potenciais jurados mostrarem objeções contra a pena de morte.

Alguns analistas dizem que os advogados de Tsarnaev, que enfrentam evidências contra o réu, provavelmente concentrarão energias na fase de penalidade, quando poderiam apresentar provas atenuantes para poupar a vida do jovem.

Os promotores dizem que Dzhokhar, de 21 anos, e seu irmão, Tamerlan Tsarnaev, foram os responsáveis pelos atentados, em retaliação às ações dos EUA em países muçulmanos. Eles também são acusados de matar um policial do Massachusetts Institute of Technology (MIT). Tamerlan, de 26 anos, morreu após um tiroteio com policiais, vários dias após os atentados.

Dzhokhar foi detido ferido e sangrando, quando estava escondido dentro de um barco guardado em um quintal suburbano. Os promotores disseram que ele descreveu a motivação pelos ataques em uma nota escrita no barco: "O governo dos EUA está matando nossos civis inocentes". E "nós, muçulmanos, somos um só corpo, você fere um, você nos fere a todos".

Os advogados de Tsarnaev podem criar as bases para algum tipo de explicação de saúde mental, disse Christopher Dearborn, professor da Escola de Direito da Universidade de Suffolk. Isso poderia incluir qualquer perseguição que sua família pode ter sofrido como minorias étnicas no Quirguistão, onde os irmãos passaram a maior parte de suas vidas antes de se mudar para os EUA com seus pais e duas irmãs.

"Acho que o valor real nisso pode ser a de começar a tentar gerar até mesmo um pouco de empatia em torno disso e humanizar o garoto um pouco, talvez o suficiente para salvar uma vida", afirmou Dearborn.

Alice LoCicero, psicóloga de Cambridge e especialista em terrorismo, disse acreditar que Tsarnaev pode ter sido suscetível à influência de seu irmão e os outros, porque ele tinha perdido estrutura psicológica no ano antes dos atentados.

Seus pais se mudaram para a volátil região russa do Daguestão e a família estava tendo problemas financeiros. As autoridades acreditam que Tamerlan se radicalizou nos últimos anos de sua vida, inclusive durante uma viagem de seis meses para o Daguestão e para a Chechênia em 2012. Os promotores, no entanto, dizem que Dzhokhar mostrou sinais, antes dos atentados, de que estava se radicalizando.

Pelo menos, um dos três amigos de faculdade condenados por mentir ou dificultar a investigação devem testemunhar contra o jovem. Outro amigo que se declarou culpado por possuir uma arma usada para matar um policial durante a busca pelos irmãos também deve depor para a acusação. Os defensores de Tsarnaev fizeram manifestações do lado de fora do tribunal durante as audiências pré-julgamento.

Heather Abbott, que perdeu parte de sua perna esquerda nos atentados, é uma das várias vítimas que pretendem participar de, pelo menos, parte do julgamento. Ela disse que espera ganhar alguma compreensão do motivo por trás dos ataques. "Eu não vejo isso como algo que vai me tirar o horror daquele dia", disse ela. "É algo com que eu sempre vou viver". / AP 

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