Começa tranquilo referendo que deve criar Sudão do Sul

Mulheres cantavam e homens se enrolavam em bandeiras enquanto começava a votação no Sudão do Sul em um referendo que provavelmente vai criar o mais novo país do mundo, cerca de cinco anos depois do fim de uma brutal guerra civil. O sul do Sudão, rico em petróleo e com população de maioria cristã, deverá se separar do norte muçulmano, dividindo o maior país da África em dois. O norte prometeu deixar o sul decidir seu futuro pacificamente.

AE, Agência Estado

09 de janeiro de 2011 | 09h11

"Esse é o momento histórico que as pessoas do sul do Sudão esperavam", declarou o presidente da região, Salva Kiir, ao depositar seu voto diante de centenas de pessoas que esperavam em fila para votar. O ator norte-americano George Clooney, que abraçou a causa do sul sudanês, estava entre as pessoas que observavam Kiir enquanto ele votava.

O presidente da região, usando seu tradicional chapéu de cowboy preto, parecia visivelmente emocionado ao lembrar das 2 milhões de pessoas mortas na guerra civil que durou de 1983 até 2005. Kiir também homenageou o líder rebelde John Garang, que morreu em um acidente de avião pouco depois de o acordo de paz ser assinado. "Estou certo de que eles não morreram em vão", disse.

O ex-presidente dos Estados Unidos Jimmy Carter, um dos vários importantes visitantes internacionais ao Sudão durante o referendo, disse hoje que a votação está sendo tranquila e pacífica até agora. O Centro Carter tem observadores monitorando a votação em todo o Sudão. "Eu acho que a última coisa que os líderes do norte e do sul querem é um retorno da violência, o que seria devastador para os dois países, se eles se tornarem dois países", disse Carter.

No entanto, conflitos em Unity, um estado do sul do Sudão, deixaram ontem ao menos seis mortos, segundo autoridades locais, e ainda há muitas milícias na região. Também foram relatados conflitos em Abyei, possivelmente entre tribos árabes e negros do sul. O número de mortos ainda não foi confirmado.

Cerca de 3,9 milhões de pessoas estão registradas para a votação. Uma maioria simples precisa favorecer a separação para que ela seja aprovada, mas 60% dos eleitores precisam apresentar seu voto para que o referendo seja validado. Depois que a votação for encerrada, no próximo sábado, mais de 4 mil observadores locais e internacionais acompanharão o processo de contagem dos votos. Os resultados finais não serão oficializados antes de fevereiro. As informações são da Associated Press.

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