Começam as negociações para um novo governo na Tunísia

Primeiro-ministro Ghannouchi se reúne com líderes de partidos opositores para formar um governo de unidade nacional.

BBC Brasil, BBC

16 de janeiro de 2011 | 11h21

O primeiro-ministro Ghannouchi (dir.) conversa com Ahmed Brahim, da oposição

Os líderes políticos da Tunísia deram início, neste domingo, às negociações para o governo que substituirá o presidente Zine al-Abidine Ben Ali, que renunciou na última sexta-feira em meio a protestos.

O chefe do parlamento Foued Mebazzaa foi oficializado como presidente interino no último sábado e prometeu formar um governo de unidade nacional com outros partidos políticos.

"Todos os tunisianos sem exceção devem estar associados ao processo político", disse Mebazzaa em um comunicado pela televisão.

A situação no país aparenta estar mais calma, apesar dos tiros ouvidos na capital, Túnis, durante mais uma noite sob toque de recolher.

Na noite anterior, houve episódios de violência, saques e confrontos com a polícia.

O estado de emergência continua e o exército segue patrulhando as ruas da capital. Neste domingo, algumas lojas e restaurantes voltaram a funcionar normalmente.

Reuniões

O primeiro-ministro Mohammed Ghannouchi deu início às negociações com políticos da oposição no último sábado. Ele se reuniu com o líder da oposição Najib Chebbi.

Chebbi, que é o chefe do Partido Progressivo Democrático, disse à rádio francesa RTL que sua principal exigência era que as eleições acontecessem dentro de seis ou sete meses sob supervisão internacional.

Na atual constituição tunisiana, a nova eleição presidencial deve acontecer dentro de 60 dias.

Ochefe do partido de centro-esquerda "Ettajdi" Ahmed Ben Brahim, também se reuniu com Ghannouchi - assim como Mustafa Ben Jaafar do Partido da União pela Liberdade e pelo Trabalho, que pediu "reformas verdadeiras".

As conversas continuarão durante este domingo.

O chefe do partido Islâmico da Tunísia Rached Ghannouchi disse que deve retornar do exílio em algumas semanas. O partido havia sido banido no país.

Ele disse à BBC em Londres que os tunisianos se livraram de um ditador, mas que ainda falta muito para acabarem com a ditadura.

Milícias

O centro de Túnis foi fechado por soldados que protegem os principais prédios públicos. Helicópteros também patrulham o local.

Moradores de algumas regiões se armaram com bastões e tacos e formaram milícias para proteger suas casas.

O morador de Nabeul, no sul de Túnis, Haythem Houissa, disse à BBC que se juntou a um grupo voluntário "para ajudar a limpar e proteger a nossa cidade".

Partidários de Ben Ali são suspeitos de parte dos atos violentos, mas a maior parte dos ataques teve como alvo prédios ligados ao ex-presidente e sua família.

O líder da Líbia, Muammar Khadafi, elogiou Ben Ali, que disse ainda considerar "o presidente legal da Tunísia".

"Vocês sofreram uma grande perda...Não há ninguém melhor do que Zine para governar a Tunísia", disse Khadafi em um discurso na televisão estatal.

O líder líbio disse ainda que a população tunisiana deveria ter pedido ao ex-presidente que adotasse o sistema político da Líbia.

No último mês, o país foi palco de protestos conta o desemprego, o aumento no preço dos alimentos e a corrupção. Confrontos com a polícia mataram dezenas durante as manifestações.

Ben Ali, que foi presidente da Tunísia por 23 anos, foi de avião até a Arábia Saudita na última sexta-feira, depois de renunciar ao cargo. BBC Brasil - Todos os direitos reservados. É proibido todo tipo de reprodução sem autorização por escrito da BBC.

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